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Artigos de saúde

Morte Súbita de Origem Cardíaca

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Introdução
- Causas
- Fatores de Risco
- Tratamento
- Prevenção
- Referências Bibliográficas

Introdução

O termo “morte súbita cardíaca” descreve uma situação que se caracteriza pela cessação da função do coração, que seria de bombear o sangue por todo o organismo, através dos vasos sanguíneos. Ela inclui os casos que evoluem com recuperação seja espontânea ou com auxílio de manobras médicas. Por isso, o termo é criticado, já que muitos pacientes não morrem, na verdade. Apesar disso, o termo continua descrevendo os casos de parada cardíaca fatal e não-fatal.

Na grande maioria das vezes, a morte súbita cardíaca se deve a arritmias cardíacas, ou seja, alterações na ativação do coração fazendo com que ele passe a “bater descompassado”, em velocidade acelerada. Essas alterações ocorrem mais frequentemente em corações que já apresentam algum grau de comprometimento por outra doença, como a pressão alta, o diabetes, a insuficiência cardíaca, o infarto do miocárdio, entre outras.

A ocorrência de morte cardíaca súbita em pessoas com coração normal é bastante incomum. Porém, na verdade o coração desses pacientes não é totalmente sadio, o que acontece é que as alterações existentes não podem ser detectadas pelos exames disponíveis.

Causas

Como já comentamos, a causa mais freqüente da morte súbita cardíaca é a doença do coração, especialmente a isquêmica. Nesse tipo de doença, ocorre estreitamento das artérias que são responsáveis pelo fornecimento de sangue rico em nutrientes ao coração. Esse estreitamento se deve à formação de placas de gordura (colesterol) na parede dessas artérias. Com isso, a quantidade de sangue para manter a boa nutrição das células cardíacas pode diminuir significativamente. Além disso, essas placas podem sofrer ruptura e, quando isso acontece, forma-se um coágulo no local da ferida. Assim, a artéria fica completamente bloqueada, não consegue levar nutrientes e oxigênio para as células cardíacas, que podem evoluir para a morte celular. Esse é o mecanismo do infarto do miocárdio, que se caracteriza pela morte das células cardíacas devido à ausência de nutrientes e oxigênio. Além da morte das células, a redução da oxigenação dessas células faz com que o coração fique mais suscetível ao desenvolvimento de arritmias cardíacas graves, responsáveis pela morte cardíaca súbita.

As cardiomiopatias representam um grupo de doenças do coração nas quais a musculatura cardíaca não funciona adequadamente, por qualquer motivo que seja. A causa mais comum é a isquemia, mas existem outras. No coração, existe um sistema de condução que funciona como se fosse o sistema elétrico de uma casa. Esse sistema conduz estímulos que faz com que o coração bata no ritmo e freqüência corretos. Algumas pessoas apresentam doenças que acometem especificamente esse sistema, colocando-as em risco de desenvolverem distúrbios do ritmo, ou seja, arritmias cardíacas.

Outras doenças que menos comumente podem causar a morte cardíaca súbita incluem: (a) insuficiência cardíaca, que se caracteriza pela incapacidade do coração em bombear adequadamente o sangue para todo o organismo (diz-se que o coração encontra-se fraco, aumentado de tamanho); (2) doenças das valvas cardíacas, como estreitamentos que dificultam a passagem do sangue; (3) miocardite, ou inflamação do coração, pode causar arritmias; (4) embolia pulmonar, que se desenvolve quando um coágulo formado nas veias das pernas se desprende da parede da veia, viaja pela circulação sanguínea e chega ao pulmão, onde acaba “entupindo” uma das pequeninas veias pulmonares, podendo causar morte das células no local.

Fatores de Risco

Na verdade, os fatores de risco para morte cardíaca súbita incluem as causas já mencionadas acima, entre outras:

  • Doença cardíaca isquêmica, incluindo ocorrência prévia de infarto do miocárdio (especialmente nos últimos seis meses)
  • Doenças cardíacas outras, como a insuficiência cardíaca, a miocardiopatia hipertrófica, doenças das valvas, etc
  • Episódio prévio de parada cardíaca
  • História familiar de morte cardíaca súbita ou doenças do sistema de condução do coração
  • História de doença cardíaca congênita
  • Relato de episódios anteriores de desmaios de causa cardíaca
  • Obesidade, diabetes, tabagismo: já que são fatores de risco para doenças cardíacas em geral, especialmente a isquêmica
  • Abuso de drogas

Tratamento

Na maioria das vezes em que o coração pára de funcionar de maneira inesperada, a causa é um tipo de arritmia cardíaca grave chamada de fibrilação ventricular. Nesse tipo de arritmia, o coração não consegue bater de maneira coordenada, surgindo vários focos de estímulos, e o músculo apenas fibrila (como se fosse um leve “tremor”). Assim, ele não consegue bombear o sangue para o organismo, principalmente o cérebro. Com isso, o paciente perde a consciência e evolui com queda da própria altura. O tratamento dessa arritmia consiste na aplicação de um choque elétrico na parede torácica, com o objetivo de tentar restaurar o funcionamento adequado do sistema de condução do coração. Esse choque é chamado de desfibrilação e o aparelho usado é o desfibrilador. Atualmente, existe uma tentativa de se disponibilizar desfibriladores de fácil manuseio, além de treinamento adequado da população para fazer uso do mesmo, em locais públicos com grande concentração de pessoas, facilitando a abordagem desses pacientes. Nos casos de “morte” cardíaca súbita, tempo é vida; por isso, o tratamento deve ser feito o mais rapidamente possível (preferivelmente em até 6 minutos).

Após a recuperação, a causa da parada cardíaca deverá ser pesquisada adequadamente, e o tratamento específico aplicado. Além disso, esses pacientes devem ser avaliados para o implante de um aparelho semelhante a um marcapasso, chamado de cardioversor-desfibrilador implantável. Esse aparelho é capaz de detectar a arritmia cardíaca assim que ela começa a acontecer e já aplica um choque diretamente no coração, para reverter o processo.

Prevenção

A melhor abordagem da morte cardíaca súbita é a prevenção. Como a maioria dos casos ocorre em pacientes com doenças cardíacas, a população de risco é representada principalmente por homens com idade superior a 40 anos, tabagistas, hipertensos e diabéticos, já que esses são os fatores de risco para infarto.

Na presença de algum dos fatores de risco listados anteriormente, recomenda-se conversar com seu médico para que seja definida a melhor conduta. Em primeiro lugar, deve-se manter o acompanhamento regular, usar corretamente as medicações prescritas, modificar seu estilo de vida de forma a reduzir o sedentarismo e manter uma alimentação saudável.

Se você já possui o diagnóstico de doença cardíaca isquêmica, e até mesmo se não possui, existem algumas mudanças no seu estilo de vida que podem ajudar a reduzir o risco de morte cardíaca súbita:

  • Pare de fumar
  • Perca peso
  • Faça exercícios físicos regularmente
  • Mantenha uma dieta com baixo teor de gorduras
  • Faça bom controle do diabetes, da pressão alta e do colesterol

Em alguns casos, pode ser necessário o implante do cardioversor-desfibrilador implantável, conforme já comentado anteriormente.

Referências Bibliográficas

  1. WebMD – Cardiac Arrest.
  2. MedicineNet.com – Sudden Cardiac Death.
  3. American Heart Association – Sudden Cardiac Death.

Copyright © 2010 Bibliomed, Inc.                 16 de setembro de 2010



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