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Artigos de saúde

Como parar de Fumar

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Qual o impacto do tabagismo na sociedade?
- Quais os malefícios do tabagismo?
- O que é dependência?
- Quais os métodos que auxiliam a pessoa a parar de fumar?
- Quais fatores interferem na tentativa de abandonar o cigarro?

Qual o impacto do tabagismo na sociedade?

Grande parte das pessoas que fumam (80 por cento) desejam parar de fumar, mas não conseguem. Eles usam a droga em quantidades maiores ou por um tempo maior do que desejariam, e mantém o seu uso apesar de conhecerem os danos físicos e psicológicos causados por ela. Embora a maioria dos fumantes já tenha enfrentado algum problema físico em função do cigarro, dar um basta neste hábito é uma das tarefas mais difíceis que o ser humano pode enfrentar, o que demonstra que as manifestações da dependência da nicotina são muito semelhantes às de outras drogas, com a diferença de não produzir manifestações psíquicas com o seu uso. Ainda que fumar não torne a pessoa mais agressiva ou eufórica, o seu padrão de consumo é típico de uma droga que produz dependência.

De acordo com dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de um bilhão de tabagistas no mundo. O cigarro causa 5,4 milhões de pessoas por ano em todo o mundo – uma média de uma pessoa a cada 6 segundos. O cigarro causa a morte de até metade de seus usuários, e o tabaco é um fator de risco para seis das oito principais causas de morte no mundo.

Uma pesquisa realizada pelo IBGE no Brasil, no ano de 1989 acusou a existência de 30 milhões de fumantes há mais de 5 anos, correspondendo, na época, a 24% da população. Uma projeção para os dias de hoje indica a existência de 36 milhões de usuários de tabaco no Brasil. Ainda segundo o IBGE, destes 30 milhões em 1989, cerca de 60% eram homens, sendo que a proporção de fumantes na zona rural era superior à da zona urbana. O consumo, revela o IBGE, é maior entre os indivíduos de 30 a 49 anos, em ambos os sexos, e reduz-se aos 50 anos. Entre os homens, o consumo médio varia de 11 a 20 cigarros por dia, ao passo que, entre as mulheres, fica entre 5 e 10 cigarros diários.

Segundo os especialistas, a informação ainda é o primeiro passo para a decisão definitiva que só o fumante pode tomar. Para isso, vamos explicar aqui alguns conceitos básicos a respeito da dependência do tabaco e seus malefícios, embasando esta decisão.

Quais os malefícios do tabagismo?

De acordo com o SBC-FUNCOR (Sociedade Brasileira de Cardiologia e Fundação do Coração), os malefícios do fumo ultrapassam a ação da nicotina e dizem respeito a diversas substâncias tóxicas resultantes da combustão do tabaco. O SBC identifica 43 destas substâncias como cancerígenas. Relaciona-se ao tabagismo 90% dos casos de câncer do pulmão, 80% dos casos de bronquite crônica e entre 20 e 25% das anginas ou infartos do miocárdio. Fumar também está relacionado com a ocorrência do câncer de boca e do esôfago e é possível que favoreça o desenvolvimento de câncer no pâncreas, bexiga, rim e estômago. Além disso, os filhos de mães fumantes mostram retardo no crescimento intra-uterino e baixo peso ao nascimento.

A SBC não pára por aí ao listar os prejuízos à saúde causados pelo cigarro. De acordo com a instituição, fumar também prejudica a circulação sangüínea e acaba propiciando os acidentes vasculares cerebrais, mais conhecidos como 'derrames'. Em alguns casos, o 'entupimento' dos vasos que irrigam as pernas pode levar à gangrena, não restando alternativa senão a amputação.

A especialidade da SBC, no entanto, é, como se pode imaginar, o coração. Este órgão vital é especialmente prejudicado pelo hábito de fumar. A nicotina torna-se prejudicial ao aparelho cardiovascular à medida que propicia a liberação de substâncias - as catecolaminas - que habitualmente só seriam liberadas no organismo em ocasiões de estresse. Essas substâncias preparam o corpo para enfrentar situações de perigo iminente. Como conseqüência, aumentam a freqüência cardíaca, a pressão arterial (e, portanto, a necessidade de oxigênio) e a resistência que os vasos opõem à passagem do sangue. No caso dos indivíduos com problemas cardíacos, todos estes efeitos são multiplicados.

Os malefícios do fumo sobre o coração e os vasos sanguíneos devem-se não somente à nicotina, mas também ao monóxido de carbono resultante da queima do papel e do próprio fumo. A combinação do monóxido de carbono com a hemoglobina - pigmento das hemácias com função de transportar o oxigênio - forma a carboxihemoglobina, com uma ligação 250 vezes mais forte do que a do oxigênio com a hemoglobina.

Assim, o conteúdo de oxigênio dos glóbulos vermelhos dos fumantes se reduz em 15 a 20%, comprometendo o seu fornecimento aos órgãos. Esse déficit de oxigênio, sempre prejudicial, torna-se ainda mais sério em virtude do aumento da demanda provocado pela nicotina. Como se já não fosse dano bastante, o monóxido de carbono tem ação tóxica, agredindo a parede interna das artérias, criando uma lesão na qual irá se depositar a gordura que circula no sangue. Para completar, o fumo ainda tem a propriedade de aumentar o fracionamento das gorduras no interior dos vasos, aumentando, assim, a concentração de LDL, o colesterol 'mau', e reduzindo a de HDL, o colesterol 'bom'". Por tudo isso, estima-se que o fumante perca, em média, dez anos de vida.

O que é dependência?

Ser dependente de uma substância significa, basicamente, não ter mais controle do seu uso, apresentando sintomas tais como tolerância (necessidade de quantidades cada vez maiores da droga para se obter os mesmos efeitos) e síndrome de abstinência (menor concentração e atenção, ansiedade, vontade de fumar: respostas do corpo para a ausência da nicotina, levando o fumante a repô-la em períodos cada vez mais curtos). Na atualidade, já não se intitula uma pessoa como dependente ou não-dependente, mas como mais ou menos dependente, ou seja, a dependência é relativa à intensidade destes sintomas.

De acordo com os psiquiatras, muitos fumantes que tentam parar de fumar sozinhos não alcançam o seu intento por apresentar os sintomas de abstinência e não saber reconhecê-los como tais. Na realidade, não são todos os fumantes que apresentam sintomas de abstinência, mas pode-se afirmar que cerca de 70% deles apresenta algum desconforto relacionado à ausência do cigarro. Eles explicam que os sintomas normalmente aparecem horas depois do último cigarro fumado e podem se estender por um período que pode durar até dois meses.

Os sintomas da abstinência são relatados como ansiedade, inquietude, irritação, agressividade, depressão, baixa concentração e atenção e aumento do apetite. Pode-se observar alterações do EEG (Eletroencefalograma), diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, vasodilatação periférica, alterações do sono, aumento do peso e diminuição da performance em provas de vigilância e memória. O sintoma mais típico é o 'craving', ou seja, uma vontade de fumar intensa e inexplicável.

Quais os métodos que auxiliam a pessoa a parar de fumar?

- Reposição de Nicotina

Método que tem como objetivo a reposição da nicotina para reduzir os sintomas de abstinência. Estudos mostram que a reposição da nicotina dobra os índices de sucesso, caso haja um aconselhamento simultâneo do médico. O grupo que mais se beneficia da terapia de reposição é o dos fumantes pesados, que fumam mais de quinze cigarros por dia; fumam até uma hora depois de acordar; e que já apresentaram sintomas de síndrome de abstinência em outras tentativas de deixar o fumo.

A reposição pode ser feita por meio de um adesivo ou goma de mascar. O primeiro método permite a absorção da nicotina pela pele e o segundo, pela boca. Os resultados relatados têm se revelado promissores, embora sejam necessários estudos adicionais, a longo prazo, para estabelecer sua real eficácia e utilidade da substituição do fumo por nicotina.

- Parada Abrupta

Deixa-se de fumar de uma vez só, abandonando totalmente o uso de cigarros de uma hora para outra.

- Parada Gradual

São duas as formas de se abandonar o cigarro de maneira gradual:

1) a primeira é a redução do número de cigarros. Por exemplo: um fumante de 30 cigarros por dia, no primeiro dia fuma os 30 cigarros usuais, no segundo dia fuma 25 e vai tirando cinco cigarros por dia, até chegar ao sétimo dia, já sem fumo.

2) a segunda modalidade é o adiamento da hora do primeiro cigarro. Por exemplo: no primeiro dia começa a fumar às 9 horas, no segundo às 11 e assim por diante, até o sétimo dia, quando o primeiro cigarro seria fumado à noite. Desta forma, seria mais fácil abandonar no sétimo dia.

Especialistas sugerem algumas dicas para facilitar o processo. Inicialmente, informam que se deve acreditar no método e também que a "vontade de fumar" é algo superável. Posteriormente, indicam que se beba bastante água, que se use gomas de mascar e balas, que se realize exercícios e caminhadas, que se evite bebidas alcoólicas, que se escove os dentes logo após as refeições, etc.

- Medicamentos – medicamentos à base de Bupropiona tem sido usados como coadjuvantes no processo de supressão do tabagismo. Consulte seu médico a respeito.


Outros métodos, como acupuntura (método do ponto cirúrgico), uso de medicamentos (kits de antioxidantes) e controle mental, como o Método M.A.M.C. - Método por autocontrole mental sobre o cigarro, que vende uma apostila através da Internet, também vem sendo amplamente divulgados. Qualquer que seja o método utilizado, no entanto, é recomendável que seja feito com acompanhamento médico.

Quais fatores interferem na tentativa de abandonar o cigarro?

Deixar o cigarro pode ser mais difícil em função das motivações psicológicas que mantém o uso do que em função do aspecto biológico. Do ponto de vista orgânico, há diversos métodos de reposição de nicotina, o que diminui a dificuldade dos efeitos da abstinência. A dependência psicológica de uma droga, e deve-se esclarecer que a nicotina é uma droga psicotrópica estimulante do sistema nervoso central, está relacionada com o hábito e com as atitudes de preparo e uso das substâncias. Há um significado psíquico para o uso do cigarro.

Na opinião dos especialistas, para se deixar o fumo, inicialmente deve-se vencer o período de síndrome de abstinência. Para isso, podem ser utilizados diversos métodos, como os adesivos de nicotina, as gomas de mascar, etc, que são considerados válidos, embora deva-se frisar que a grande dificuldade de deixar o fumo não está na questão orgânica. O difícil é deixar o hábito e os seus componentes estruturantes psicológicos do uso. Sendo assim, considera-se bastante válido que seja utilizado um método para diminuir os efeitos orgânicos da falta da nicotina, contudo é imprescindível que haja um apoio psicológico. Este apoio pode ser obtido tanto em uma psicoterapia como em grupos de auto-ajuda.

Já a psicanálise, especialidade do psicólogo, é um método de compreensão e tratamento das causas psíquicas inconscientes que motivaram e que mantém a necessidade do uso da droga. Pode-se dizer que, de maneira geral, o cigarro é para a pessoa que o usa como um 'remédio', muitas vezes utilizado para diminuir a ansiedade e este fato é paradoxal, na medida que a nicotina é uma droga estimulante, logo, deveria gerar ansiedade.

Muitos familiares de fumantes fazem verdadeiras 'campanhas' em casa para que estes parem com o hábito que pode levá-los à morte. A angústia da família, no entanto, tem pouco resultado sobre o fumante se este não estiver de fato convicto da necessidade de parar. Inicialmente, quando pensamos em ajudar alguém, devemos ter clara a necessidade de respeito à individualidade do outro. Não se pode fazer um tratamento de uso de cigarro de uma maneira forçada, sem que o fumante o deseje.

Quando se fala do uso de outras drogas, como o crack, a cocaína, a heroína, pode-se até pensar na necessidade de retirar a pessoa de um círculo vicioso e destrutivo. Já o cigarro não torna a pessoa violenta ou confusa psicologicamente, suas conseqüências são físicas. De acordo com especialistas em drogas, em geral, os fumantes possuem as informações necessárias para julgar a gravidade das conseqüências de seu vício. Embora seja um primeiro passo importante, a informação, pura e simples, todos sabem, é insuficiente tanto para prevenir quanto para determinar o término de uma dependência.

Copyright © 20112 Bibliomed, Inc.   Publicado em 29 de Agosto de 2011     Revisado em 31 de maio de 2012



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