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Artigos de saúde

Jovens – as vítimas maiores da violência

Equipe Editorial Bibliomed

A cada dia vemos sobressaltados as manchetes dos jornais e os noticiários da televisão. A violência não tem fim e não poupa ninguém, nem mesmo as crianças, que são afetadas direta ou indiretamente.  As mortes por causas violentas têm cifras alarmantes e vitimam tanto os provedores de uma família quanto seus filhos, que tornando-se órfãos, em uma estrutura que deixa a desejar quanto ao seu acolhimento, ingressam nesta roda viva, criando um circulo vicioso. O circulo vicioso da violência. O Sudeste está no topo desta triste escalada. A região apresenta a maior proporção: 77,5% dos óbitos são violentos. Entre 84 países, o Brasil ocupa a quarta posição, com uma taxa total de 27 homicídios em 100 mil habitantes (incluindo todas as faixas etárias), só ficando atrás da Colômbia, da Venezuela e da Rússia.

As principais causas de morte na população total são as doenças do coração, as cérebro-vasculares e, em 3º lugar, as provocadas por armas de fogo. Apesar de menos expostos a doenças e epidemias, os jovens são a parcela da população mais sujeita a morte por fatores externos: 60,4% dos óbitos na faixa etária entre 16 e 24 anos (praticamente três em cada cinco mortes) são causados por homicídios, acidentes de carro e suicídios. Nas demais faixas, são atribuídos a essas causas apenas 9,6% das mortes.

Entre os jovens, contudo, as armas de fogo ocupam o primeiro lugar. De 1993 a 2002, o número de jovens entre 15 e 24 anos, assassinados no Brasil, cresceu 88,6%. Quando se consideram somente os jovens, o Brasil sobe para a terceira posição no ranking mundial – à frente estão Colômbia e Venezuela. Segundo o levantamento, a taxa de homicídios na população de 15 a 24 anos saltou de 30 (a cada 100 mil jovens) para 51,7 entre 1980 e 2004. Nas demais faixas etárias, porém, o índice passou de 21,3 para 20,8 no período.

O Rio de Janeiro continua sendo um dos estados com maior número de mortes, por causas violentas, de homens entre 15 e 24 anos, tendo apresentado um índice de 227,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2005.

O número de mortes de menores chega a ser maior no Rio de Janeiro do que em algumas regiões de conflito. Na guerra entre judeus e palestinos, por exemplo, foram mortas 467 crianças entre 1987 e 2001, enquanto o número de crianças vítimas da violência no Rio chegou a um número assustador: 3.937 crianças foram mortas pela guerrilha urbana do Rio de janeiro, no mesmo período.

Os dados mais recentes mostram quais são as regiões mais violentas do país.

Taxa de vítimas de homicídios por regiões metropolitanas (por cem mil habitantes)

Vitória

78,2

Recife

76,7

Rio de janeiro

62,6

Maceió

56,9

São Paulo

51,7

Belo Horizonte

51,7

Brasília

39,1

Fonte: IPEA, 2005

A violência também age indiretamente sobre as crianças, afetando sua performance mental, e agindo diretamente sobre sua inteligência e rapidez de raciocínio. Quanto mais exposta à violência, mais afetada se encontra a criança. Pesquisadores estudaram 299 crianças urbanas da primeira série e verificaram sua capacidade de leitura e testaram seu QI, e relacionaram os resultados com índices de exposição à violência urbana. Os níveis de exposição das crianças foram muito altos. Por exemplo, aproximadamente 85% das crianças de 6 a 7 anos de idade disseram já ter ouvido o som de tiros sendo disparados pelo menos uma vez na vida, e aproximadamente 80% já presenciaram uma agressão.

Os pesquisadores encontraram que esta grande exposição à violência foi responsável por resultados menores nos testes de QI. Crianças expostas aos mais altos níveis de violência apresentaram testes de QI 7,5 pontos menores, do que crianças expostas a níveis mais baixos de violência. A diferença chegou a quase dez pontos, entre crianças estressadas e expostas a violência e crianças com menor nível de trauma e exposição.

Portanto, as seqüelas são tanto imediatas quanto tardias e a mudança deste quadro depende de todos nós, que queremos um Brasil melhor para nós e para nossos filhos. As ações neste sentido têm de ocorrer rapidamente, do contrário dificilmente vamos vê-los crescer.

Copyright © 2007 Bibliomed, Inc.                                        3 de Março de 2007.



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