Publicidade

Artigos de saúde

Obesidade

Neste artigo:

Introdução
Consequências sobre saúde geral
Causas
Tratamentos
Conclusões
Referências


Introdução 

A obesidade é caracterizada pelo excesso do tecido adiposo no organismo. Estima-se que, no mundo, existam 2,1 bilhões de pessoas obesas ou com sobrepeso, o que compreende a quase um terço da população mundial. A obesidade é calculada através índice de massa corporal (IMC), que é o resultado do peso (em quilogramas) dividido pelo quadrado da altura (em metros). O IMC normal é aquele que tem valores entre 18,4 e 24,9. Valores entre 25 e 29,9 caracterizam indivíduos com sobrepeso e valores acima de 30 são indicadores da obesidade. Os obesos classe I têm IMC’s que variam de 30 a 34,9. Os de classe II exibem IMC’s de 35 a 39,9. Acima desse valor fala-se em obesidade de classe III - ou obesidade extrema (termo menos pejorativo que a expressão “obesidade mórbida”).

Além do peso, existem outros fatores importantes na avaliação da obesidade. A distribuição de gordura corporal é um deles. Estudos mostram que o excesso de gordura ao redor da cintura e dos flancos (a chamada obesidade “em maçã”) correlaciona-se com mais riscos à saúde que a presença de tecido adiposo nas coxas e nádegas (obesidade “em pêra”).

Consequências sobre a saúde geral

Muitas doenças incidem preferencialmente sobre obesos. Entre elas, destacam-se a hipertensão arterial, o diabete mellitus do tipo 2, as dislipidemias, a doença arterial coronariana, as doenças degenerativas das articulações e problemas psicológicos. Certos cânceres são mais prevalentes em pacientes obesos (é o caso dos cânceres de cólon, reto e próstata em homens e dos cânceres de útero, trato biliar, mamas e ovários em mulheres). Tromboembolismos, doenças do trato digestivo e da pele também são mais comuns entre obesos. Neles, o risco de cirurgias e de problemas com a gestação e o parto também são maiores. Doenças pulmonares, endócrinas e renais também costumam castigar mais os pacientes obesos.

Causas

Até pouco tempo, a obesidade era considerada o resultado de uma vida sedentária associada ao consumo de calorias em excesso. Embora esse seja um mecanismo que inquestionavelmente leva à obesidade em grande parte das pessoas, hoje já se sabe que fatores genéticos e constitucionais podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade. Estudos com gêmeos e crianças adotadas demonstraram estreita relação entre o IMC dos pais biológicos com o de seus filhos, ao passo que a mesma relação não pôde ser atribuída a fatores ambientais.

Em camundongos, já foram identificados genes responsáveis pelo controle do apetite. Mutações nesses genes, em humanos, podem ser responsáveis pela obesidade de muitas pessoas. Um desses genes codifica uma proteína – a leptina - que possui receptores nas células cerebrais e provavelmente atua regulando a vontade de comer.

A maioria dos casos de obesidade em humanos provavelmente decorre de uma interação entre o arcabouço genético, fatores ambientais e o comportamento.

Menos de 1% dos obesos exibem algum problema de saúde que possa justificar a obesidade. Hipotireoidismo e síndrome de Cushing são exemplos importantes de causas de ganho de peso. Pessoas com esses problemas devem buscar a ajuda de um endocrinologista.

Todos os indivíduos obesos devem ser avaliados quanto a possíveis consequências da obesidade sobre sua saúde geral. Medidas da pressão arterial, da glicemia de jejum, do colesterol e dos triglicérides são importantes para isso.

Tratamentos

Infelizmente, mesmo com as técnicas mais avançadas, a obesidade ainda é um problema difícil de ser tratado. Os pacientes mais motivados a perderem peso são aqueles com maiores chances de sucesso em dietas voltados para o controle da obesidade. 

Os programas para perda de peso mais bem sucedidos que se conhece empregam equipes de cuidados multidisciplinares e se baseiam em dietas com poucas calorias, modificações nos hábitos alimentares e prática de exercícios aeróbicos. Suporte psicossocial é fundamental para todas as pessoas. Deve ser dada ênfase à necessidade de manter a perda de peso a fim de evitar que se volte a engordar (situação que tende a se tornar cíclica e levar ao chamado “efeito sanfona”).

Um obeso deve, a princípio, comer exatamente as mesmas coisas que qualquer pessoa com uma vida saudável deve ingerir: dietas pobres em gorduras e ricas em fibras e carboidratos complexos. Isso pode ser obtido através do consumo da maior proporção possível de alimentos não processados (in natura). Alimentos que fornecem muita caloria e não possuem valor nutricional (álcool, sacarose e gordura) devem ser restringidos.

Apenas mudanças permanentes no hábitos alimentares são capazes de manter a perda de peso obtida com dietas. Muitos programas voltados para modificação do comportamento e para aquisição de hábitos de vida saudáveis estão hoje disponíveis. O contato direto com o médico é, entretanto, peça chave para um tratamento bem sucedido contra a obesidade.

Exercícios

O exercício físico oferece uma série de vantagens para pessoas que tentam perder peso  manter o peso dentro de limites individualmente estipulados. Os exercícios aeróbicos aumentam o gasto calórico total do indivíduo e são especialmente importantes para manter o peso adequado por longos períodos de tempo. Eles também ajudam a preservar a massa magra, o que por si só contribui para o aumento do gasto calórico total. Os exercícios também ajudam a melhorar o perfil glicêmico, lipídico e cardiovascular de indivíduos obesos.

Suporte psíquico

Suporte psicossocial é fundamental para assegurar um programa de perda de peso bem sucedido. O contato íntimo e duradouro com a equipe médica e o envolvimento de familiares e amigos pode auxiliar a adesão a mudanças comportamentais e evitar o isolamento social.

Dietas restritivas

Pacientes muito obesos podem requerer cuidados mais agressivos. Dietas com baixíssimo teor calórico (menos de 800 kcal/dia) resultam em rápida perda de peso e melhora importante das complicações metabólicas associadas à obesidade. Pessoas mantidas nesses programas costumam perder cerca de 1kg a 2Kg por semana, por até seis meses. Embora a perda de peso possa ser obtida mais rapidamente com dietas muito restritivas, o resultado desses regimes a longo prazo é equivalente ao obtido com dietas tradicionais.

Medicamentos

Há considerável controvérsia acerca do emprego de terapias farmacológicas para o tratamento da obesidade. Muitas pessoas já chegam ao consultório médico em uso de medicações que não foram prescritas corretamente. A prescrição irresponsável de inibidores de apetite, diuréticos e laxativos não é incomum.

Os protocolos publicados em 1998 pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA reservam o uso de medicamentos contra a obesidade para pacientes com IMC > 30 e para pacientes com IMC > 27 e fatores de risco associados. Ainda assim, as medicações são apenas parte de uma estratégia abrangente de cuidados para pacientes obesos.

Apenas médicos podem prescrever o uso de medicamentos para emagrecimento, uma vez que essas substâncias podem reagir com outros medicamentos ou interferir tratamento para outras doenças, além de terem efeitos colaterais que devem ser considerados no momento da prescrição.

Cirurgia

A cirurgia bariátrica, ou "redução de estômago" é uma cirurgia que tem como objetivo reduzir o volume do estômago, fazendo com que a pessoa ingira quantidade menor de comida e, consequentemente, perca peso. Ela é indicada para obesos classe III, ou seja, cujo IMC é igual ou superior a 40 kg/m2 ou naqueles com obesos classe II (IMC entre 35 e 39,9) com alguma morbidade associada (hipertensão arterial, artropatias, dislipidemias, diabetes, disfunções respiratórias). A cirurgia é um procedimento que deve ser parte de um tratamento multidisciplinar, que envolve médicos, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos.

Conclusões

A dificuldade de tratar a obesidade não deve desanimar quem se vê diante de tal problema. Apesar de serem muitos os recursos hoje disponíveis para o tratamento da obesidade, a maioria deles encontra grandes limitações ao seu emprego. Medicações e dietas restritivas não mostram vantagem a longo prazo sobre a aquisição e manutenção de hábitos de vida saudáveis. A cirurgia bariátrica, embora exiba resultados notáveis, ainda se associa a grande frequência de consequências adversas. O foco do tratamento de todo indivíduo obeso deve ser a mudança dos hábitos dietéticos e a aquisição de hábitos saudáveis de vida.

Referências :

1. Baron B R: Nutrition. Current Medical Diagnosis and Treatment 2003 Chapter 29, pages 1212 to 1244.

2. Mokdad A H et al: The continuing epidemics of obesity and diabetes in the United States. Journal of the American Medical Association 2001;286:1195.

3. Mantzoros C S: The role of leptinin human obesity and disease: a review of current evidence. Annals of Internal Meidicine1999;130:671.

4. Wei M et al: Relationship between low cardiorespiratory fitness and mortality in normal weight, overweight, and obese men. Journal of the American Medical Association 1999;282:1547.

5. Rossner S et al: Weight loss, weight maintenance, and improved cardiovascular risk factors after 2 years treatmento with orlistat for obesity. European Orlistat Study Group. Obesity Research 2000;8:49.

Copyright © 2017 Bibliomed, Inc. 11 de outubro de 2017



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: