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Artigos de saúde

Nova estratégia de tratamento da dor após cirurgia: A Analgesia Preventiva

Neste artigo:

- Generalidades sobre a dor
- Complicações pós-operatórias relacionadas à dor
- Prevenção e tratamento da dor após cirurgia

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"A dor é uma sensação subjetiva e complexa que serve como sinal de alarme quando ocorre alguma agressão ao organismo. Geralmente acompanha os procedimentos cirúrgicos, podendo persistir mesmo após a cirurgia. Recentemente, têm sido descobertas facetas da modulação da dor pelo sistema nervoso, o que tem permitido a elaboração de novas estratégias para a prevenção e tratamento de sua ocorrência no pós-operatório".

Generalidades sobre a dor

A sensação dolorosa apresenta um aspecto positivo pois, quando ocorre um traumatismo que não recebe atendimento médico adequado, como uma fratura óssea ou acidente com instrumento cortante, o único meio de cura e cicatrização das lesões é a não utilização da parte do corpo que foi traumatizada. A dor então dificulta a utilização das partes lesadas do corpo, propiciando um repouso e proteção das mesmas pelo indivíduo.

Diz-se que a dor é aguda, quando se inicia de forma abrupta e tem duração efêmera, como aquela provocada por um choque elétrico ou pela perfuração acidental de um dedo com uma agulha. A dor que vai se instalando de forma gradativa e que perdura com o passar de dias, meses e anos, podendo aumentar de intensidade progressivamente - como a que ocorre na artrite reumatóide, hérnia de disco, câncer, dentre outras - é dita crônica e geralmente é de tratamento mais difícil e, freqüentemente, tratada de maneira inadequada.

Os traumatismos, os procedimentos cirúrgicos, o câncer em estado terminal e um sem número de doenças cursam com dores com características variadas, muitas vezes de grande intensidade, causando grande desconforto e incapacidade ao indivíduo.

Há pacientes que se queixam de dores crônicas que parecem não apresentar causas orgânicas, cujo tratamento com analgésicos mostra-se pouco eficiente, sendo, muitas vezes, necessários esforços de reabilitação, psicoterapia e tratamento psiquiátrico de suporte. Alguns pacientes submetidos à cirurgia de amputação de membros, como o braço ou a perna, queixam-se de uma “dor fantasma”, que é sentida no membro amputado após a amputação. Esta dor é sempre grave e intensa, às vezes resiste a diversas formas de tratamento e consegue até impedir o programa de reabilitação. O surgimento pode se dar precoce ou tardiamente à amputação com duração imprevisível.

O tratamento eficiente da dor tem se tornado cada vez mais importante uma vez que a abordagem terapêutica de muitas doenças esbarra neste impasse e pela grande incidência de complicações pós-operatórias que são propiciadas pela dor e imobilidade.

Muitos tipos de cânceres, hoje tratáveis, apresentam como sintoma importante à dor insuportável, o que limita sobremaneira o tempo e a qualidade de vida do indivíduo.

Complicações pós-operatórias relacionadas à dor

A incidência da dor após procedimentos cirúrgicos de maior vulto pode retardar a reabilitação do organismo, dada a imobilidade que provoca, suscetibilizando os pacientes, principalmente os idosos, a várias complicações pós-operatórias, como a pneumonia e outras infecções, a trombose (formação de coágulos, ou trombos devido à estagnação do sangue no interior dos vasos sanguíneos), a embolia pulmonar (descolamento do trombo da parede do vaso sanguíneo, circulando no sangue até atingir os pulmões, bloqueando a oxigenação do sangue), a insuficiência respiratória e até mesmo a morte. A trombose resulta, na maioria das vezes, da imobilização do paciente durante as internações, ou após cirurgias mais complexas. Sem os movimentos, a circulação se torna mais difícil e as chances de formação de trombos aumenta.

Com a evolução do conhecimento médico sobre a dor, sabe-se hoje que sensações dolorosas intensas sensibilizam o sistema nervoso, fazendo com que o indivíduo sofra dores maiores posteriormente. Assim, durante uma cirurgia, se o paciente perceber uma sensação dolorosa, mesmo estando sedado e inconsciente pela utilização de anestesia geral, ocorrerá a sensibilização do seu sistema nervoso central, o que o tornará mais propenso a desenvolver dores mais intensas mesmo após a cicatrização e recuperação da cirurgia.

Prevenção e tratamento da dor após cirurgia

As pesquisas que vêm sendo desenvolvidas sobre o tratamento da dor crônica têm revelado que a prevenção da sensação dolorosa durante a cirurgia é um passo importante para evitar a ocorrência de dores fortes pós-operatórias. Tal medida é chamada “analgesia (alívio da dor) preventiva” e vem apresentando tendência de utilização crescente.

A analgesia preventiva é realizada com a utilização criteriosa de anestésicos locais para abolir a sensação dolorosa na área a ser operada pelo cirurgião, juntamente com o emprego da anestesia geral, e mantendo-se ainda a utilização de analgésicos após a cirurgia. Os anestésicos locais podem ser aplicados diretamente na área a ser operada (anestesia local), ou aplicados pelas técnicas de bloqueio de nervos, anestesia peridural e raquianestesia, dependendo da cirurgia realizada. O importante é garantir a analgesia antes, durante e após a cirurgia para se evitar a sensibilização do sistema nervoso.

Após a operação os métodos para alívio da dor pós-operatória podem contar com injeções intramusculares e intravenosas, analgésicos para serem ingeridos por via oral, e cremes anestésicos para serem aplicados localmente na ferida operatória. Geralmente o paciente recebe alta do hospital com receita para o uso oral de comprimidos analgésicos e antiinflamatórios, pois são de utilização mais fácil, o que não requer técnicas específicas de emprego.

Alguns experts acreditam que o emprego adequado das técnicas de analgesia preventiva, respeitando as particularidades de cirurgias específicas, pode acelerar a recuperação do paciente, prevenir a ocorrência de complicações pós-operatórias e diminuir a ocorrência e a intensidade da dor após a cirurgia, mesmo após a alta hospitalar.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.                    21 de Novembro de 2002.


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