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Transmissão de HIV resistente dificulta terapia com AZT e 3TC

Um alerta foi divulgado na última semana pelo infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que participou do XII Congresso Brasileiro de Infectologia. Dados preliminares de um estudo revelam que os pacientes soropositivos em tratamento estão transmitindo um tipo de vírus HIV resistente às drogas mais comuns usadas no controle da doença.

Segundo a pesquisa, entre as pessoas recém-contaminadas, cerca de 17% apresentam resistência parcial ao AZT e 20% têm resistência total ao 3TC, duas drogas que fazem parte da classe dos inibidores de transcriptase reversa nucleosídio.

O mesmo estudo revelou que 18% dos pacientes mostraram resistência total a todos os medicamentos da classe dos inibidores de transcriptase reversa não-nucleosídios, que, de modo geral, impede a duplicação do vírus.

O infectologista lembra que como estes pacientes jamais haviam recebido tratamento contra a Aids, a única explicação para que sejam resistentes aos medicamentos é que tenham sido contaminados por alguém que, sob tratamento, desenvolveu um vírus resistente aos medicamentos.

Os dados para a pesquisa foram obtidos no Centro de Triagem Anônima de Santos, que faz o teste do HIV gratuitamente. Trinta e quatro pessoas contaminadas em 1999 e 2000 foram ouvidas.

De 1996 a 1998, cerca de 3% a 5% das pessoas apresentavam vírus resistentes. Nestes pacientes, as drogas não conseguiam impedir completamente a replicação do vírus ou a inibiam apenas durante um período.

Quando o HIV se multiplica na presença de medicamentos, ele tende a adquirir resistência. O Dr. Ricardo Diaz alerta que existe o risco de que seja criada uma epidemia de vírus resistente, para a qual não há muitos medicamentos disponíveis.

Quando o paciente soropositivo é resistente às drogas, são necessários medicamentos mais complexos, que têm mais efeitos colaterais e custam mais caro. Os vírus resistentes começaram a ser identificados nos Estados Unidos a partir de 1999.

No Brasil, eles só começaram a ser detectados no ano passado. Já existem testes laboratoriais que identificam se o paciente é portador de um vírus resistente. No entanto, esses exames não estão disponíveis na rede pública de saúde.

Copyright © 2001 Bibliomed, Inc.                 04 de Dezembro de 2001



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