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Artigos de saúde

Assistência à Saúde Precisa de Ajustes

Neste Artigo:

- País de Contradições
- Progressos
- Indicadores de Saúde
- Diferenças Sociais
- Investimentos Escassos
- Alto Custo X Assistência Intermediária
- Questão de Prioridade
- Hora de Repensar
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"Avanços em pesquisas, em procedimentos cirúrgicos e em técnicas de diagnóstico. A maior parte das evoluções, no entanto, ainda está restrita a uma pequena parcela da população. Esse é o quadro da saúde brasileira no início do milênio. No Dia Nacional da Saúde - 5 de agosto - há muito o que comemorar, mas também muitas reflexões a fazer".

País de Contradições

O Brasil amarga a triste realidade de ter disponível o que há de mais moderno em termos médicos e ainda conviver com antigos problemas e com doenças que já deveriam ter sido erradicadas. Um dos exemplos, são os números da mortalidade infantil, que caíram nos últimos anos, mas que ainda são altos para os padrões mundiais: um sinal de atraso. No mesmo País, é possível fazer exames avançados como a ressonância magnética que visualiza os canais do fígado e do pâncreas: um sinal de progresso.

Progressos

A Metodologia Científica foi uma das evoluções. "Hoje, o médico documenta suas experiências e detalha o resultado de seus procedimentos. A descrição adequada facilitou as análises científicas", conta o Dr. Mário Ribeiro, cirurgião geral e diretor científico da Associação Médica de Minas Gerais. Com a internet, as informações também estão bem mais acessíveis, possibilitando consultas rápidas.

Entre os motivos para comemorar, o médico cita o aumento dos investimentos em pesquisas. Os aparelhos para exames complementares também progrediram. Ultra-som, tomografia computadorizada, ressonância magnética e endoscopia possibilitam, atualmente, um diagnóstico mais preciso. "Muitos procedimentos podem ser filmados e documentados. Isso permite que o médico detecte o problema com mais eficácia, propondo o melhor tratamento", lembra Dr. Ribeiro. Muitos métodos são menos invasivos ao organismo, evitando reações alérgicas no paciente e diminuindo a chance de problemas.

"Estudos mais específicos possibilitaram a análise detalhada dos efeitos de medicamentos, excluindo fatores externos e conhecendo as respostas diferentes de cada paciente", afirma o cirurgião. Os medicamentos se tornaram grandes aliados da Medicina. O desenvolvimento de substâncias potentes, com investimentos milionários e anos de pesquisa, garantiu tratamentos eficazes contra inúmeras doenças.

No caso das operações, a videocirurgia tornou possível uma intervenção sem grandes cortes, com menos dor, chances reduzidas de infecção, internação e recuperação mais rápidas e cicatrizes menores. "A videocirurgia pode ser feita com quatro pequenos cortes. São usados tubos metálicos e gás. Uma filmadora reproduz em tela a imagem ampliada do organismo. Pelos tubos, o cirurgião introduz os equipamentos e faz o que é necessário", descreve Dr. Ribeiro. O retorno à vida normal e ao trabalho é mais rápido.

Indicadores de Saúde

Para o médico, há indicadores importantes das melhorias na saúde, como o aumento da expectativa de vida e a queda nos índices da mortalidade infantil. Avanços que antes demoravam até sete anos para chegar do exterior, estão disponíveis em poucos meses no País. "É importante lembrar, no entanto, que os usuários de menor poder aquisitivo não têm acesso às novas tecnologias. O Sistema Único de Saúde (SUS) não paga grande parte dos procedimentos sofisticados. A absorção desse desenvolvimento não é universal e as diferenças no tratamento disponível são grosseiras", critica o médico.

Diferenças Sociais

Os problemas sociais têm reflexo na saúde dos brasileiros. A prevenção de doenças, como o câncer no colo do útero ou de próstata, deixa a desejar. A desnutrição ainda mata. "É difícil convencer uma pessoa a enfrentar fila para marcar uma consulta se ela não sente nada. Isso prejudica a assistência básica", reclama.

"A busca por um sistema público de saúde com qualidade e assistência integral é uma luta antiga dos médicos. No entanto, isso não se concretiza sem dinheiro", opina o Dr. Mozart de Oliveira Júnior, médico sanitarista e superintendente de Provimento de Saúde da Unimed-BH. Dr. Mozart lembra que, enquanto os países desenvolvidos investem em saúde entre US$ 1 mil e US$ 2 mil por habitante/por ano, o Brasil gasta apenas entre US$ 150 e US$ 250. A falta de investimentos permite a assistência em algumas áreas, deixando outras descobertas.

Investimentos Escassos

No vácuo do SUS, proliferam planos, seguros médicos, cooperativas e empresas de assistência suplementar à saúde, que já atendem 40 milhões de brasileiros. Outros 130 milhões ainda dependem do SUS. "O governo não investe na proporção devida para garantir um sistema de qualidade. O resultado disso é uma demanda muito maior do que o serviço ofertado, gerando filas nos postos e hospitais, além da precariedade no atendimento", afirma o sanitarista.

A falta de investimentos trouxe prejuízos para a população, que ficou desassistida, e também para hospitais. Sem uma remuneração adequada, muitas instituições médicas têm suspendido seu atendimento aos pacientes do SUS, o que agrava o quadro da saúde brasileira.

Alto Custo X Assistência Intermediária

"O governo escolheu determinadas áreas - as que dão mais visibilidade - para investir. Atualmente, alguns procedimentos de alto custo estão disponíveis no SUS. Exemplos disso são os medicamentos para Aids, os transplantes e a hemodiálise. O que o governo federal gasta com remédios para Aids, atualmente, é mais que o dobro do gasto com todos os outros medicamentos", conta o Dr. Mozart. Os pacientes soropositivos tiveram um aumento em sua sobrevida. Por outro lado, inúmeras pessoas ainda morrem com malária no País.

Questão de Prioridade

Hoje, o SUS oferece à população o alto custo e também a assistência básica, que se caracteriza por vacinação, Programa de Saúde da Família e o trabalho de agentes comunitários. O atendimento intermediário - medicamentos nos postos, consultas com especialistas e exames - ainda é falho. "Tudo é questão de prioridade. Atualmente, o Brasil gasta no pagamento de juros das dívidas interna e externa quatro vezes o que investe em saúde. Muitos estados não gastam nem mesmo o mínimo exigido", critica o médico.

Apesar de descrever um quadro complexo de assistência à saúde, Dr. Mozart afirma que o País tem avanços a comemorar. A universalização do atendimento, a partir da Constituição de 1988, garantiu o fim das mortes de indigentes, antes completamente excluídos do sistema de saúde. Outras vitórias são a garantia do atendimento de alto custo, o aumento da oferta de ações coletivas de saúde e a redução nas taxas de mortalidade infantil. "As pessoas estão mais conscientes de seus direitos, sabendo que o Estado tem obrigação de oferecer um serviço de qualidade", aponta o sanitarista.

Hora de Repensar

O futuro ainda está sendo desenhado. O médico acredita, no entanto, que o modelo de atenção à saúde precisa ser repensado para que a distribuição de recursos seja bem planejada. É preciso integração nas ações, investimento no treinamento de pessoal e valorização dos profissionais de saúde. "Se o quadro não for revertido, o SUS tende a virar um sistema pobre para atender pessoas de baixa renda. Tivemos avanços, mas eles foram aquém do que se esperava em 1988", conclui.

Copyright © 2001 Bibliomed, Inc                 10 de agosto de 2001



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