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Artigos de saúde

Águas que curam

Neste Artigo:

- Água, fonte da vida
- Fontes de água mineral
- Água só mata a sede?
- Como conhecer sua água e os seus direitos
- Classificação dos tipos de água
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Uma das maiores preocupações deste próximo século deverá ser a questão da água. Em princípio, qualquer pessoa, se lhe for dado um questionário, irá dizer que sabe o que é água. Mas será mesmo assim? A água é uma só coisa, um líquido transparente, composto de duas moléculas de hidrogênio para uma de oxigênio e mais nada? Vamos conhecer um pouco sobre as propriedades da água, como encontrar as melhores fontes, saber que há fontes com tipos diferentes de água, onde analisar a água que bebemos e para o que mais ela serve em matéria de nutrição. Um pouco dos segredos daquela que é conhecida como ‘fonte da vida’. Em tanto mar, como diz o poeta, é preciso navegar, navegar. Pequenas braçadas, só para começar.

Água, fonte da vida

A água pura é um dos nossos nutrientes essenciais, segundo os critérios Vegan. A água pura é necessária para que o sangue flua, as glândulas segreguem os fluídos vitais, para que possa ocorrer reações químicas nas células. O padrão Vegan de nutrição indica que nós devemos beber no mínimo de 2 a 3 litros de água por dia (12 copos), que pode ser na forma de água pura, chás de ervas, sucos de frutas ou vegetais. O ideal é comer frutas ou vegetais que contenham bastante líquidos.

Fontes de água mineral

As regiões centro-oeste e sudeste do Brasil são ricas em fontes de águas minerais e o turismo nessas regiões se dá em razão das propriedades terapêuticas que são divulgadas sobre a água, cada cidade reivindicando para si a posse da água de melhor qualidade.

Por exemplo, fundada em 1868, a antiga vila de São Domingos, atual Santa Bárbara do Rio Pardo, é hoje uma das estâncias hidrominerais cortada por vários rios, situada às margens do Rio Pardo. A estância possui um clima agradável e ar puro o ano todo. Ruas arborizadas, recantos e cachoeiras fazem com que a cidade seja uma fonte perene de saúde, segundo seus moradores.

Fontes de águas minerais como esta também contam muitas histórias. No século XIX, famílias que vieram do Estado de Minas Gerais para as terras do Vale do Rio Pardo trouxeram consigo muitos escravos. Naquela época, os habitantes do vale já faziam uso de uma fonte conhecida como "Poço Quente" ou "Água Virtuosa", devido à caloria da água e seu efeito terapêutico. Conta-se que os escravos iam ali lavar as feridas oriundas das chicotadas, frieiras dos pés, lavavam também as feridas do lombo dos cavalos e burros provocadas pelos arreios, que logo cicatrizavam. Antigos moradores do local contam que seus avós presenciaram estes fatos e que também nas proximidades das fontes havia muitas muletas jogadas, pois os escravos, tomados pelo reumatismo, iam de muletas até a fonte e ali se banhavam e lá as abandonavam, já curados.

Muitos anos depois, engenheiros paulistas mandaram analisar a água e constatou-se ser água mineral da melhor qualidade. O atual balneário é hoje dotado de banhos de imersão, saunas e duchas escocesas.

Seus habitantes contam também que o conde Matarazzo sofria de uma doença de pele que nenhuma clínica fora do país conseguiu curar, até que foi a Stuttgart, na Alemanha, para um tratamento, sendo então surpreendido pelo médico que o atendeu:

"Mas o senhor não mora no Brasil? A melhor água para seu tratamento está em Santa Bárbara do Rio Pardo". Iniciou o tratamento e meses depois estava totalmente livre da moléstia que o acompanhara por tantos anos.

Essas e outras histórias que existem às centenas tendo a água como principal personagem nos levam a perguntar: que propriedades têm as fontes minerais e em que difere essa água da água potável? Como podemos testar a qualidade de uma água e principalmente saber quais as fontes que mais se aproximam das qualidades que suas prefeituras publicam como sendo as melhores?

Para tanto, precisamos conhecer um pouco mais ainda sobre a água, esperando que ela seja tão inesgotável para o planeta quanto as histórias e os assuntos em torno dela.

Água só mata a sede?

A água não só mata a sede, diz a Dra. Suzan M. Kleiner, especialista em nutrição do esporte e autora do livro Power Eating. Ela contém nutrientes, é o regulador da temperatura do corpo e ajuda na queima de gordura e no desempenho de exercícios. A Dra. Suzan aconselha que a pessoa não espere o sinal de sede do corpo para ingerir água, mas sim, que a pessoa se mantenha hidratada o máximo possível, tomando de 8 a 10 copos de água por dia.

A sede, segundo a médica, só se manifesta quando o corpo já está levemente desidratado. Um dado importante que Dra. Suzan levanta sobre a desidratação é que ela é cumulativa. Isto quer dizer que se você fez caminhadas, exercícios, e não repôs a água do corpo, esta água não é reposta automaticamente no dia seguinte. A desidratação ‘se acumula’ de um dia para o outro e, assim, é altamente desaconselhável negligenciar por dois a três dias a reposição de água no organismo.

Dra. Suzan explica também que, para atletas que fazem exercícios pesados e que utilizam bebidas esportivas encontradas no comércio, em certos casos perdem as propriedades da água, que pode ser melhor que os repositores artificiais de fluidos.

Para comunidades afortunadas, que além da água de torneira e da água filtrada podem e têm condições de adquirir água mineral, as opções dadas pela Dra. Suzan podem ser anotadas. A pessoa pode escolher, dentre a águas engarrafadas, a água de nascente, que é colhida na superfície, a água que ela chama de mineral (de acordo com a classificação norte-americana), que surge das formações rochosas e que contém a mais alta concentração de minerais, a água de poços e a água destilada. Esta última é purificada por vaporização e depois é condensada. Existe ainda a água ‘seltzer’, que é gasosa devido à adição de dióxido de carbono pressurizado.

As águas diferem entre si também, ainda que levemente, quanto ao sabor. Em algumas águas é acrescentada a frutose ou a sacarose, daí o paladar diferente.

O que é a água mineral natural?

Muitos tipos de água são genericamente chamados de água mineral, aqui no Brasil, enquanto a classificação nos Estados Unidos é diferente.

De acordo com o Ministério da Saúde, "água mineral natural é a água obtida diretamente de fontes naturais (de origem espontânea ou nascentes) ou captada através de bombas (poços), de origem subterrânea, caracterizada pelo conteúdo e proporção relativa de certos sais minerais e pela presença de oligoelementos e outros constituintes e que sejam bacteriologicamente puras". Define também como "água natural é a obtida diretamente de fontes naturais ou artificialmente captada, de origem subterrânea, que não atende às características de composição química e à classificação das águas minerais naturais, porém, atende às condições de potabilidade estabelecidas".

O Ministério da Saúde também estabelece os padrões que a "água mineral natural" e "água natural" devem ter depois de acondicionadas em garrafas ou em galões: os limites de contaminantes inorgânicos (metais pesados, por exemplo) e microbiológicos (como coliformes totais e fecais, pseudomonas, etc.); os critérios de higiene que devem obrigatoriamente ser tomados: e alguns dizeres da rotulagem, por exemplo, sobre a concentração de flúor.

Esses padrões devem estar na embalagem e, em caso de dúvida, o consumidor deve procurar informar-se junto ao fornecedor ou nos órgãos competentes de sua cidade.

Classificação

É preciso saber que, assim como nem todos os orientais são iguais simplesmente por terem os olhos puxados, também as águas não são as mesmas porque têm forma líquida e aparência incolor. Em matéria de água mineral, você pode encontrar dez copos com dez composições diferentes. E se existem (como na lista abaixo), águas com poderes medicamentosos como as oligominerais, é bom trocar idéias com seu médico ou nutricionista, caso queira ingressar em uma dessas viagens ou excursões para estâncias ou balneários, para que seu investimento seja bem recompensado. Veja a lista abaixo.

Segundo o Código das águas minerais, as águas classificam-se, quanto à composição química em:

- Alcalino-bicarbonatadas: as que contêm, por litro, uma quantidade de compostos alcalinos equivalentes no mínimo a 0,200 g de bicarbonato de sódio.

- Alcalino-terrosas: as que contêm, por litro, uma quantidade de alcalino-terrosos equivalente no mínimo a 0,120 g de carbonato de cálcio (existem as alcalino-terrosas cálcicas e magnesianas).

- Carbogasosas: as que contêm, por litro, no mínimo 200 mg de gás carbônico livre dissolvido, a 20°C e 760 mm de Hg de pressão.

- Cloretadas: as que contêm, por litro, no mínimo, 0,500 g de cloreto de sódio;

- Ferruginosas: as que contêm, por litro, no mínimo 0,500 g de ferro;

- Nitratadas: as que contêm, por litro, no mínimo 0,100 g de nitrato de origem mineral.

- Oligominerais: quando, apesar de não atingirem os limites estabelecidos, possuem incontestável ação medicamentosa.

- Radíferas: quando contêm substâncias radioativas dissolvidas que lhes atribuam radioatividade permanente.

- Radioativas: as que contêm radônio dissolvido, detectado na fonte, obedecendo limites de unidades Mache por litro, a 20°C e 760 mm de Hg de pressão:

  • fracamente radioativas: teor de radônio entre 5 e 10 Maches por litro
  • radioativas: teor de radônio entre 10 e 50 Maches por litro
  • fortemente radioativas: teor de radônio superior a 50 Maches por litro.

- Sulfatadas: as que contêm, por litro, no mínimo 0,100g de sulfato, combinando ao sódio, potássio ou magnésio.

- Sulforosas: as que contêm, por litro, no mínimo 0,001g de enxofre.

- Torioativas: as que possuem teor de torônio em dissolução equivalente em unidades eletrostáticas, a 2 unidades Mache por litro, no mínimo.

Como conhecer sua água e os seus direitos

Se um cidadão comum tiver a curiosidade de saber quão boa é a água que ele está bebendo e que propriedades ela tem, ele deve antes calçar uma sandália confortável e se preparar (sem esquecer seu cantil de água) para percorrer um verdadeiro labirinto de Creta. Existem vários órgãos a cargo de fazer análise e tratamento de água e são vários os tipos de análise feitas. Mas Beatriz Pisani, bióloga do Instituto Adolpho Lutz, nos dá algumas pistas.

O Instituto Adolpho Lutz, por exemplo, faz análise da potabilidade da água para consumo humano. A bióloga explica que nem todas as informações são passadas para o público, mas o cidadão ou consumidor final pode ter acesso às informações, na medida de sua iniciativa particular de colher dados sobre a água que bebe.

Beatriz também explica que se um cidadão comum descobrir em seu quintal, ou em sua chácara, a existência de um poço e quiser saber se aquela água é potável, ele pode pedir o teste ao Adolpho Lutz mediante uma taxa que ele mesmo paga. Isto porque a água se encontra em sua propriedade particular e seu uso não é comunitário. Agora, se esse mesmo cidadão deseja saber sobre a qualidade da água que toma através do abastecimento público, ele deve se informar em sua prefeitura, na Vigilância Sanitária e principalmente no DIR (Diretório Regional), subordinado à Secretaria de Saúde. Nesse caso não há custo para o consumidor final. É um direito que o cidadão tem de conhecer a água que está recebendo do abastecimento público. Beatriz declara que, em caso de dúvida, o consumidor deve contatar preferivelmente o DIR, já que se for às prefeituras, que abastecem a cidade, elas obviamente dirão que a água está boa para o consumo, enquanto o DIR é uma entidade autônoma, responsável pela qualidade da água, e não subordinado às prefeituras.

Mas o final do labirinto não pára por aí. A água fornecida em uma região pode estar sob responsabilidade de uma outra região ainda, como por exemplo a água fornecida em Campinas está atualmente sob a responsabilidade do DIR da cidade de Jundiaí. Como a maioria das pessoas não tem condições econômicas de percorrer todo esse caminho, nem todas as informações disponíveis por onde começar sua pesquisa, deve pelo menos tentar tratar o melhor possível a água que chega em sua casa, observando os cuidados básicos de fervura, filtragem e purificação, conforme o caso.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.              30 de Dezembro de 2002.


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