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Artigos de saúde

Parto Vaginal Versus Cesárea

Neste Artigo:

- Introdução
- Definindo o Parto
- Sintomas do Trabalho de Parto
- Parto Normal ou Vaginal
- Fórceps
- Cesariana
- Riscos da Cesariana
- Outros Tipos de Parto
- Dor no Parto
- Direitos das Gestantes
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"Esta reportagem aborda a questão dos diferentes tipos de partos que existem, dando ênfase maior ao parto normal ou natural e à cesariana. Aspectos relacionados às dores no parto, aos direitos da gestante e a outras formas de parto, também serão abordadas".

Introdução

Nascer não é uma tarefa fácil. Parir, muito menos. Muitas mulheres tremem diante da perspectiva da dor do parto, e os índices de cesáreas no Brasil tornam-se assustadoramente altos, quando comparados ao que é aceito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma proporção ideal de pelo menos 70% dos nascimentos por parto normal. Outro fator que influencia fortemente neste indicador, no Brasil, é o quanto os convênios, sejam públicos ou privados, pagam por um ou outro procedimento, levando muitos médicos a induzirem uma escolha, não necessariamente positiva, às futuras mamães.

De acordo com o ginecologista e obstetra Marco Aurélio dos Santos, há um erro conceitual quando falamos em 'escolher o tipo de parto'. "Tecnicamente, não há escolha entre cesárea e parto vaginal: a cesárea é uma indicação técnica quando há impossibilidade de parto normal, não sendo, portanto, facultativa ou resultado de uma escolha pessoal", afirma. Ele reconhece, no entanto, que nem sempre esta determinação acontece por critérios técnicos: "Houve uma época, por exemplo, em que a cidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, apresentava 100% dos partos realizados com cesariana". De acordo com o médico, que além de clínica particular em São Paulo atua no Hospital Albert Einstein, os índices de cesariana são maiores justamente nos hospitais particulares, onde a mulher, por sua condição sócio-econômica mais elevada, força a opção pelo que considera 'menos dolorido'. O parto vaginal, no entanto, na opinião do especialista, precisa ser desmistificado: "o parto normal é a primeira opção, sempre", afirma.

Definindo o Parto

O verdadeiro trabalho de parir pode ser considerado como um evento dinâmico, em que várias modificações físicas ocorrem ao mesmo tempo e culminam com o nascimento da criança. O trabalho de parto pode durar de algumas poucas horas até vários dias, variando muito de mulher para mulher.

Sintomas do Trabalho de Parto

- Contrações, dores (dor que se irradia das costas até a frente da barriga, podendo se estender até as pernas é um indício de que o trabalho de parto está começando);

- Tampão (presença de um muco espesso com um pouco de sangue), a ruptura da bolsa pode resultar num jato de líquido amniótico ou apenas na perda de um pouco de líquido.

Parto Normal ou Vaginal

O parto normal ou vaginal é o tipo mais indicado, para a grande maioria dos casos. A própria Organização Mundial de Saúde recomenda que o parto vaginal seja empregado em uma proporção maior do que 70% das vezes, chegando, em alguns países, a ser empregado em 93% das ocasiões. Um parto normal tem seu próprio ritmo que, como já foi dito, varia de mulher para mulher e de gravidez para gravidez. O processo todo leva, em média, 14 horas para as mães de primeira gravidez e 10h para aquelas que já estão no seu segundo filho. Entretanto, esse tempo pode variar muito de pessoa para pessoa e não há como se determinar um tempo "normal" de duração de um parto.

De acordo com especialistas em obstetrícia, o parto normal pode ser dividido em etapas:

Primeira Etapa: inicia-se com o começo do trabalho de parto e se caracteriza pelas contrações uterinas e a dilatação cervical. Em geral, tem duração de duas a seis horas e, ao final desse período, a dilatação deve estar por volta de três centímetros. Em geral é o período mais longo e menos doloroso do trabalho de parto.

Segunda Etapa: fase que se caracteriza por contrações mais fortes, duradouras e freqüentes. Etapa mais dolorosa, embora seja mais rápida do que a anterior, durando em média duas a três horas e atingindo uma dilatação de sete centímetros.

Terceira Etapa: para os especialistas, é a fase mais difícil do parto. As contrações são bem próximas e bastante intensas. Todavia, é uma fase bem curta e os últimos três centímetros de dilatação normalmente são alcançados entre quinze minutos e uma hora.

Quarta Etapa: nascimento propriamente dito. Com dez centímetros de dilatação e contrações intensas, a mãe está pronta para começar o esforço de empurrar o bebê. Muitos obstetras realizam um pequeno corte no períneo, o que facilita a passagem do bebê e impede que o tecido se rompa.

Quinta Etapa: as contrações não acabam com o nascimento do bebê, o objetivo agora é expelir a placenta, o que geralmente ocorre entre cinco minutos e meia hora após o nascimento. Por fim, o corte deve ser suturado.

Fórceps

O fórceps é "uma grande pinça" que é introduzida no canal de parto para ajudar a trazer a cabeça do bebê para fora. Para os especialistas, não há o que temer, atualmente, mas há algum tempo atrás o uso do fórceps em partos complicados freqüentemente deixava seqüelas no bebê, podendo até mesmo causar a morte da mãe.

Médicos esclarecem que esses acontecimentos ocorriam no uso do "fórceps alto", um instrumento que puxava a cabeça do bebê quando ela ainda estava bem longe de chegar à abertura vaginal. Às vezes essa técnica resultava em hematomas na cabeça do bebê e podia causar lesões no útero materno.

Atualmente, o fórceps é empregado quando o bebê já está encaixado, ou seja, quando está quase nascendo. Esse é o chamado 'fórceps baixo' e sua finalidade é a de ajudar a mãe no último estágio da expulsão do bebê.

Cesariana

As cesarianas planejadas, geralmente, são feitas com anestesia peridural. Uma sonda é introduzida para manter a bexiga vazia durante a cirurgia. O obstetra faz a incisão, o líquido amniótico é aspirado e o bebê é retirado. Em seguida, o cordão umbilical é cortado. Retira-se a placenta e examina-se o útero por dentro para ver se não restou qualquer resquício dela, o que poderia acarretar uma perigosa infecção. Finalmente, o corte é suturado.

De acordo com os obstetras, embora o parto normal ou vaginal seja indicado para a maioria dos casos, quando a mãe e o bebê estão bem, ele nem sempre é a melhor escolha. Há situações em que a cesariana é necessária para garantir o mínimo de risco para a mãe e o bebê. A cesariana deve ser empregada em casos de descolamento da placenta; cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê; desproporção entre a circunferência da cabeça do bebê e o tamanho da bacia da mãe; sofrimento fetal durante o trabalho de parto (quando a oxigenação do bebê começa a ficar comprometida e a dilatação não está evoluindo); histórico materno de duas ou mais cesáreas; mãe com diabetes, problemas cardíacos ou doenças contagiosas como a Aids.

Médicos explicam ainda que a cesariana pode ser a melhor opção, de acordo com a avaliação do obstetra, no caso do bebê estar em posição "sentada", ou no caso de gêmeos.

Os especialistas, contudo, esclarecem que a cesariana é bastante utilizada, por vezes desnecessariamente, no Brasil. De acordo com dados estatísticos, o país é hoje um dos líderes em cesarianas no mundo com uma taxa de 35,9%. Para se ter uma idéia do que isso representa, países como a Suécia têm taxas de 7%.

É importante esclarecer que a cesariana, quando bem indicada, é um recurso médico formidável e salva milhões de vidas em todo o mundo a cada ano.

Riscos da Cesariana

Esse tipo de parto, por ser uma intervenção cirúrgica, traz alguns riscos para a gestante e o bebê: maiores riscos de infecções hospitalares; a recuperação da mãe é mais lenta e dolorosa do que no parto normal; a mãe poderá ter mais dificuldades em voltar à antiga forma física; o bebê pode ter mais dificuldades respiratórias, pois seus pulmões não passaram pelo "aperto" do canal de parto, o que ajuda a expelir o muco que facilita a respiração. O Dr. Marco Aurélio afirma ainda que é comum que uma mulher que realizou uma cesárea não consiga partir para um parto normal em uma próxima gravidez. No entanto, ele afirma que o parto normal ou vaginal é perfeitamente possível após a cesárea, e que depende muito da disposição do médico e da mulher para conseguir realizá-lo.

Outros Tipos de Parto

Segundo esclarecem médicos do Hospital Santa Lúcia, de Brasília: "de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a mulher tem o direito de escolher como quer ter o filho. E já que não existe parto sem dor, a idéia é torná-lo menos traumático possível, para a mãe e o bebê". Além do parto "normal" e da cesariana, pode haver o parto sentado, desenvolvido numa cadeira especial, o parto de cócoras, o parto de joelhos, o parto de quatro e o parto na água, considerado pelos obstetras do Hospital Santa Lúcia como a forma "mais natural de trazer um bebê ao mundo. O parto é feito em uma banheira com água aquecida. O bebê já sai nadando e sobe sozinho até a superfície. O cordão umbilical só é cortado quando pára de fornecer oxigênio à criança".

Dor no Parto

Segundo uma especialista na temática de partos, a Dra. Izilda Ferreira Pupo, Ginecologista-Obstetra, é assustador para algumas mulheres pensarem que podem sentir dores no parto. Contudo, salienta a médica: "As pessoas são diferentes, cada um sente as dores de um jeito". Ela explica que há diversas maneiras de se aliviar a dor, que vão desde medicações aplicadas por via endovenosa e por via intramuscular, entretanto, "a maneira mais moderna e eficaz de tirar a dor do período de dilatação é a anestesia peridural, pois alivia ou quase anula a dor, mas as contrações se mantêm. A anestesia peridural contínua consiste em injetar na região da coluna lombar anestésicos através de cateter de acordo com a dor e o período do parto".

Direitos das Gestantes

Os médicos do hospital de Brasília esclarecem, ainda sobre alguns dos direitos das mulheres grávidas, destacando: receber informações sobre a gravidez e escolher o parto que deseja; conhecer os procedimentos rotineiros do parto; não se submeter à tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e a enema (lavagem intestinal), se não o desejar; recusar a indicação do parto, feita só por conveniência médica; não se submeter à ruptura artificial da bolsa amniótica; escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto; direito de recusar a episiotomia (corte de períneo); não se submeter à cesariana, a menos que haja riscos para a grávida ou o bebê; começar a amamentar o bebê sadio logo após o parto; a mãe pode e deve exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.

Copyright © 2000 eHealth Latin America            22 de Novembro de 2000.




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