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Artigos de saúde

A Violência dos Filmes Americanos

Neste Artigo:

- A Violência dos Filmes Produz Violência na Vida Real?
- O Índice de Violência nos Filmes Americanos
- A Atuação da Censura
- O que Poderia Ser Feito para o Controle da Violência nos Filmes?
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"Os filmes e os outros meios de comunicação veiculados pela mídia influenciam o modo de pensar e o comportamento das crianças e dos adolescentes. A crescente exposição às cenas de violência exibidas pela televisão e pelos filmes americanos desperta grande preocupação entre os profissionais de saúde pública. O problema não diz respeito somente à quantidade de cenas de violência, mas sim ao modo como essas são retratadas, sendo que na maioria das vezes as vítimas sofrem poucas lesões físicas em proporção ao grau de injúrias que receberam e os atos violentos parecem sempre ser justificados e nunca são punidos. Diante da crescente violência mundial, algumas medidas precisam ser tomadas em relação aos meios de comunicação, que precisam mudar o enfoque de seus filmes, valorizando as relações de paz e solidariedade, em detrimento da violência".

A Violência dos Filmes Produz Violência na Vida Real?

Uma questão muito discutida atualmente é se a violência dos filmes e programas de televisão acarreta violência na vida real. Vários estudos têm confirmado que a violência concentrada nos filmes, seriados e novelas parece aumentar o grau de tensão social e insensibiliza as pessoas para os dramas reais do cotidiano, e mais, estimula jovens e crianças a reagirem com agressividade.

As crianças de hoje vivem em uma sociedade onde a violência é o principal tipo de entretenimento e não têm proteção contra a venda absurda de violência e ódio pelos meios de comunicação.

Parece que a mídia tem contribuído de forma exagerada no processo de anestesiar as pessoas contra o sofrimento real, pois mostra a violência num contexto de humor ou então exalta a impunidade dos agressores, não retratando o sofrimento das vítimas que parecem nunca se machucarem. Geralmente, nas cenas violentas, morre um grande número de pessoas, através de técnicas apuradas de homicídio em grupo, o que vem estimulando alguns jovens a cometerem esse tipo de assassinato em massa.

Muitos representantes da indústria do entretenimento tentam simplificar a questão, dizendo que muitas crianças têm contato com a violência e não cometem nenhum crime. A violência, atualmente, é como um vírus ao qual todo mundo está exposto, mas apenas aqueles que são mais vulneráveis ou que sofrem uma grande exposição serão afetados.

Hoje, há um grande número de crianças "infectadas" pelo vírus da violência, pois muitas delas admiram a máfia, amam Hitler ou sabem como fazer uma bomba e manusear armas de fogo, porém não toleram as diferenças e a liberdade dos outros.

O Índice de Violência nos Filmes Americanos

Segundo o Dr. David L. Mcarthur e col, que realizaram um estudo sobre o nível de violência de 100 filmes americanos do ano de 1994, foram encontradas 2.184 ações violentas contra pessoas. Isto corresponde a uma ação violenta para cada 5 minutos de filme. O pesquisador verificou que todos os filmes, exceto um drama (Quiz Show, Hollywood Pictures), continham pelo menos uma cena de violência. O maior número de cenas violentas foi encontrada no filme Timecop, MCA/Universal Pictures, com 110 cenas. E até mesmo um desenho para crianças, o Lion King, Walt Disney Productions, tinha um excesso de ações violentas, totalizando 97 cenas.

De acordo com o Dr. David, 44,1% das cenas apresentavam ações violentas letais (ações que certamente causariam a morte), 37,4% de ações de violência moderada (ações que poderiam causar a morte caso fosse desferidas com mais força) e 18,5% de violência mínima (ações como empurrões e sem o uso de armas que não trazem perigo de morte ou lesões graves). As cenas com violência letal foram vistas mais entre os filmes de ação, nos quais 56,8% das cenas violentas eram letais.

O Dr. David avaliou o grau com que os filmes evidenciavam a violência, e notou que 88,4% dos filmes davam mínima ou nenhuma evidência à violência, 10,2% apresentavam evidência moderada e somente 1,4% dos filmes davam evidência máxima à violência, sendo que 7 dos 14 filmes de ação estudados davam evidência máxima à violência.

Os atos violentos intencionais foram 10 vezes mais comuns do que os não intencionais. Em 87% dos atos intencionais e 75,6% dos não intencionais, as conseqüências para as vítimas não eram retratadas ou eram subestimadas, não gerando qualquer lesão física. Entre os filmes estudados, 9 a cada 10 cenas não apresentavam a injúria à vitima corretamente.

Os autores observaram que os filmes de ação evidenciavam mais as cenas de violência e os atos eram sempre mais sérios e intencionais, mas contraditoriamente, as conseqüências não eram bem retratadas. Já nas comédias, os atos violentos eram menos graves, pouco evidentes e com baixo índice de intencionalidade e as conseqüências físicas eram mostradas moderadamente.

A Atuação da Censura

A violência é tema comum dos filmes desde o começo da era do cinema. De acordo com Glucksmann, nos anos 30, os filmes já contavam com 45 assassinatos e mais de 400 crimes em 115 filmes diferentes. Desde 1950, mais de 650 casos de violência foram identificados em 100 filmes selecionados dessa época. Mas, nesses tempos, havia a atuação da censura nos filmes americanos (Hays Production Code) que controlava as cenas de violência, crimes, sexo, palavrões e obscenidades. Mas, com o fim desta censura em 1968, o controle dos filmes passou a ser feito pelo "Motion Picture Association of America" (MPAA), que é um sistema voluntário que tinha como uma de suas principais funções a tarefa de controlar as oscilações da censura sobre os filmes americanos, que algumas vezes era omissa e em outras fazia estardalhaço demais, proporcionando uma imagem mais favorável para o público. Mas, na atualidade, o controle das cenas, realmente, é bem menos criterioso, deixando que um excesso de cenas violentas seja retratado nos filmes.

O que Poderia Ser Feito para o Controle da Violência nos Filmes?

Algumas medidas simples poderiam ser tomadas, como a presença de informações na tela do cinema, antes das exibições, no sentido de alertar os pais sobre a intensidade de violência dos filmes e as conseqüências negativas que esses podem trazer. E as crianças menores de 18 anos deveriam ser severamente proibidas de entrarem em filmes, bem como de comprarem fitas ou videogames com alto índice de violência.

De acordo com o Dr. David, a Saúde Publica dificilmente conseguirá convencer a indústria cinematográfica a diminuir as cenas de violência em seus filmes. Mas que ela poderia começar a expressar sua preocupação com o excesso de atos violentos contra pessoas que não produzem as conseqüências físicas esperadas, como vem sendo feito para persuadir os produtores a reduzir o número de personagens fumando e a aumentar o número de pessoas usando o cinto de segurança.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             11 de Outubro de 2000


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