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Quando a Hipertensão Deve Ser Tratada? Decisão Terapêutica na Visão de Médicos e Pacientes

Neste Artigo:

- Introdução
- O Estudo
- Resultados e Comentários
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A eficácia da terapia anti-hipertensiva já está bem estabelecida, mas as normas que estabelecem quando a hipertensão deve ser tratada, variam muito de acordo com os diferentes centros. Há sempre muitas dúvidas, principalmente em relação ao estabelecimento do tratamento medicamentoso, para os pacientes que apresentam hipertensão arterial moderada e sem complicações (140-159/90-99). Como a maioria dos pacientes hipertensos está incluída nesse grupo, essas divergências, quanto ao início do tratamento, têm importantes implicações. Apesar dos níveis pressóricos serem um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, a literatura clínica até hoje não conseguiu estabelecer um limiar específico, separando aqueles pacientes que irão se beneficiar com a terapia anti-hipertensiva, daqueles que serão prejudicados pelos riscos e efeitos colaterais do medicamento.

Introdução

Para a decisão terapêutica da hipertensão arterial sistêmica alguns parâmetros devem ser seguidos, entre eles o valor da pressão, a presença ou não de complicações com lesões em órgãos alvo (doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), doenças renais, arteriopatias periféricas, retinopatia) e a existência de outros fatores de risco, como o diabetes mellitus e o tabagismo. Atualmente, há uma tendência em incorporar as opiniões dos médicos e dos pacientes na decisão de tratamento, mas ainda há poucos estudos estabelecendo as preferências de cada um desses grupos.

Uma maneira de se conhecer as opiniões dos médicos e de seus pacientes, seria através da determinação do menor benefício percebido por cada pessoa e se compensa o tratamento apesar dos riscos de efeitos colaterais e dos custos da medicação. Isto é conhecido como a mínima diferença clinicamente importante - MCID (minimal clinically important diference).

Tentando estabelecer o limiar com que os médicos e os pacientes decidem o tratamento da hipertensão arterial sistêmica, um grupo de pesquisadores canadenses, liderados pelo Dr. Finlay A McAlister (Division of General Internal Medicine, Walter Mackenzie Centre, University of Alberta Hospital, Edmont), conduziu um estudo, no qual os autores analisaram o MCID de um grupo de pacientes e de médicos, usando cenários hipotéticos, com pessoas apresentando hipertensão arterial sistêmica (HAS) em diferentes níveis, com ou sem complicações e outros fatores de risco. Este estudo foi publicado na revista CMAJ, de agosto de 2000.

O Estudo

Foram selecionados dois grupos, um composto por médicos que trabalham diretamente com pacientes hipertensos, em 25% de seu tempo. O outro grupo era formado por pacientes com HAS moderada, sem complicações e sem outros fatores de risco, com idade entre 18 e 60 anos, que estavam em acompanhamento médico, por 3 meses. Os médicos e pacientes foram escolhidos nas cidades de Ottawa e Edmonton, entre novembro de 1997 e maio de 1998.

Os dois grupos responderam a um questionário apresentando seis situações hipotéticas, com cada uma relacionando diferentes probabilidades de eventos cardiovasculares com o uso da terapia anti-hipertensiva. Em todas as situações, os efeitos colaterais, o custo e as complicações de cada medicamento foi detalhadamente exposto. Para cada cenário hipotético, a pessoa escolhia se iniciaria ou não o tratamento medicamentoso. Dessa maneira, o MCID individual era calculado através do menor benefício com que cada pessoa iniciaria o tratamento. Por exemplo, se a pessoa escolhia prescrever o medicamento quando o risco cardiovascular reduzisse com o tratamento de 10% para 1%, 2% e 3%, mas não se o risco diminuísse para 4%, logo o seu MICD para esta situação era de 7%. Por fim, os MICDs individuais de médicos e de pacientes foram comparados e analisados estatisticamente.

Resultados e Comentários

A participação foi de 77% entre os médicos (72 em uma amostra de 94 pessoas) e de 51% entre os pacientes (74 de 146 convidados). De maneira geral, as pacientes tiveram o seu MICD maior do que os dos médicos. Em outras palavras, os pacientes exigiram maiores benefícios com o tratamento do que os médicos. Aqueles pacientes que já recebiam anti-hipertensivos escolhiam a terapia com mais facilidade, do que aqueles que nunca usaram os anti-hipertensivos.

Os autores acreditam que desenvolveram e testaram uma ferramenta eficaz para a determinação do MICD (mínima diferença clinicamente importante com a terapia) dos médicos e dos pacientes. Eles consideram que os resultados do estudo mostraram que os pacientes são geralmente mais conservadores do que os médicos, na hora de iniciar o tratamento medicamentoso.

Mas, apesar dos resultados, o estudo apresentou muitas limitações. Mas os pesquisadores acreditam que as respostas dos pacientes superestimam o desejo da maioria dos pacientes com HAS, entre a população geral. Eles afirmam que a principal limitação foi o fato da maioria dos pacientes já tratarem a hipertensão arterial sistêmica e, por isso, serem mais acessíveis ao tratamento do que o restante da população. Mas eles consideram este estudo como um primeiro passo para outros estudos mais aprofundados.

Ao final do estudo, o que ficou claro foi que a decisão terapêutica deve ser individualizada e que essa deve levar em conta, não somente os níveis pressóricos e a existência de mais fatores de risco ou de complicações, mas deve considerar as opiniões de cada paciente, que tem o direito de escolher e, principalmente, de conhecer a sua situação e seus riscos.

Fonte: CMAJ 2000; 163 (4): 403-8.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             09 de Outubro de 2000


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