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Artigos de saúde

A Saúde Entra para Internet: Quais os seus Limites?

Neste artigo:

- Colocando a Questão
- O Que Pensam os Conselhos
- O Que Pensam os Profissionais
- O Que Pensam os Usuários
- Dicas Para não Cair em Armadilhas
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"A saúde tornou-se um grande mercado a ser explorado na Internet, e também fora dela. A questão da ética vem junto com este espantoso crescimento dos sites de saúde e de toda a sorte de serviços e produtos que podem ser encontrados na Web. Alguns cuidados básicos podem evitar que o internauta se deixe iludir por promessas de cura e tratamentos que na prática não podem ser feitos através da rede"

Colocando a Questão

Naturalmente, a Internet tornou-se um eficiente instrumento de difusão de informações até então privativas do meio médico. Se, por um lado, isso leva ao público mais dados para embasar suas escolhas na hora de definir práticas de saúde, por outro também permite a disseminação de informações incorretas ou até mesmo prejudiciais. Além disso, muitas outras questões se colocam: como fica a privacidade daquele que informa, através da rede, dados de sua saúde pessoal? É ética a consulta virtual?

Que este é um mercado impressionante, não há dúvidas. As muitas aplicações que a rede proporciona como, laboratórios, hospitais, planos de saúde, clínicas, consultórios, médicos particulares, comércio eletrônico de medicamentos, universidades e serviços independentes correm para investir na rede. Estima-se que, somente nos Estados Unidos, foram gastos, em 1999, US$ 200 milhões em produtos e serviços de saúde para a Internet. No ano 2004 prevê-se que este número salte para US$ 10 bilhões.

As implicações éticas da prestação destes serviços e destes comércios via Internet são inúmeras. Como cobrar, por exemplo, por uma consulta onde não houve exame clínico? Como vender um remédio sem receita? E como o usuário vai conseguir distinguir o que é informação séria do que não é, se estamos em um mar de conteúdos dos mais diversos, onde se misturam, abaixo da palavra saúde, todas as técnicas alternativas, holísticas e místicas? A Internet abre espaço para todos: isso inclui os charlatões. Como separar o joio do trigo?

Os navegantes mais experientes dirão que a Internet não é diferente do mundo real, e que como um papel em branco, aceita de tudo. A responsabilidade cresce para o lado do usuário, mas, ao mesmo tempo, cresce a função dos órgãos reguladores das profissões envolvidas com práticas de saúde, e que poderão fazer este trabalho de "filtragem" para o usuário, conferindo confiabilidade àqueles que cumprem com as exigências éticas da profissão.

O Que Pensam os Conselhos

Na consulta psicológica o tema é ainda mais controverso. Como boa parte das psicoterapias são baseadas em ouvir os pacientes, já existem muitos psicólogos praticando terapia on-line, através de programas como o ICQ, chats ou até via e-mail. O Conselho Federal de Psicologia (CFP), está preparando uma resolução para regulamentar o atendimento psicológico via Internet. O assunto vem sendo debatido com os Conselhos Regionais desde fevereiro do ano 2000.

A posição que vem prevalecendo é de que o atendimento psicológico virtual, por ser uma prática não reconhecida pela Psicologia, pode ser utilizado no exercício profissional, desde que sejam garantidas algumas condições. Entre elas, a de que este tipo de prática faça parte de um projeto de pesquisa e que obedeça às normas do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas com seres humanos. Principalmente, a resolução que está sendo preparada pelo CFP ressalta que o psicólogo pesquisador não deve receber, a qualquer título, honorários da população pesquisada.

Trocando em miúdos, o CFP entende que ainda não foram pesquisados métodos que apresentem resultados confiáveis no tratamento via rede, logo, tudo que estiver sendo feito, não é mais do que pesquisa e para tanto precisa ser normatizada e respeitar os critérios científicos de pesquisa próprios da área da saúde. Não é possível, portanto, cobrar de pessoas que estejam servindo de "cobaias".

"A discussão é importante por procurar inserir a polêmica a respeito da psicoterapia mediada pelo computador num quadro mais amplo. É importante salientar que ainda são necessárias pesquisas para mostrar a viabilidade e a segurança dos atendimentos psicológicos mediados por computador", destaca a psicóloga Elisa Sayeg, coordenadora do Grupo de Trabalho de Psicologia e Informática do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

O CFP considera que tem uma posição avançada quanto às necessidades dos psicólogos assimilarem novas tecnologias que possam vir a ser empregadas nas práticas profissionais. "No entanto, isso não significa que a entidade irá adotar aleatoriamente quaisquer novidades tecnológicas, sem que antes um estudo minucioso seja feito para comprovar ou não a sua eficácia. Assim, o CFP pretende garantir que os serviços prestados pela categoria sejam feitos de modo eficiente e seguro para o consumidor", pronuncia-se a entidade oficialmente. Eles ressaltam ainda que é imperativo que mais estudos seja feitos e que se aprove uma legislação a respeito. "Por isso, a resolução está sendo elaborada a partir de pareceres de diversos especialistas na área de Psicologia e Internet", explica Sayeg.

O Que Pensam os Profissionais

Sobre o posicionamento do Netpsi – Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia, que mantém um site na Internet, o psicólogo e Diretor Clínico Fernando Falabella Tavares de Lima, concorda com a psicóloga Sayeg e afirma "Até o presente momento, pelo que regem as regras da profissão, não é possível estabelecer um vínculo profissional de atendimento psicoterápico através da Internet, contudo, é evidente que no futuro esse será mais um caminho para prestar serviços à população". Ele completa: "Faz-se necessária a publicação de pesquisas sobre o tema para que se estabeleçam as formas, isto é, as técnicas de atendimento, que certamente serão um pouco distintas da clínica presencial". Sobre a atuação do Netpsi no atendimento on-line, o Dr. Tavares de Lima acrescenta ainda que "neste momento, nós estamos aguardando as publicações dos Conselhos Regional e Federal de Psicologia para tomarmos a iniciativa de também prestar esse tipo de atendimento".

O Que Pensam os Usuários

Cristina Amaral, usuária de Internet há três anos, conta que recentemente utilizou os serviços de saúde através da rede para obter informações sobre o diagnóstico de sua mãe. "Quando descobri que minha mãe tinha suspeita de Mal de Alzheimer busquei na rede todas as informações a respeito da doença. Isso foi útil para saber quais os caminhos que eu poderia seguir a partir da constatação ou não da doença. Encontrei muitas informações", explica. Ela acredita que a Internet lhe abre possibilidades de consultar mais de uma opinião: "A Internet impede que eu me torne refém de um único médico, me dá maior liberdade de escolha".

Dicas Para não Cair em Armadilhas

Como, no entanto, separar o que é informação útil da inútil? Os especialistas em Internet reforçam a idéia de que a Internet não muda o mundo lá fora, apenas o reproduz. É preciso estar certo das fontes que foram consultadas, se elas estão ligadas a alguma universidade ou são endossadas pelos Conselhos que regulamentam a profissão, por exemplo, e se são cuidadosas com o tipo de solução que oferecem. De acordo com Stephen Barrett, que mantém um guia na Internet especializado em combater o charlatanismo, é necessário tomar cuidado, entre outras coisas, com as curas milagrosas, o anúncio de ervas que curam qualquer doença, os tratamentos de curto prazo, as propagandas insistentes cujo emissor não pode ser facilmente identificado, etc. Em especial, ele cita as propostas de cura de câncer e AIDS, muito procuradas por pessoas que estão em um momento muito frágil de suas vidas, em busca de qualquer esperança em que se possam agarrar.

Como é fácil observar, todas estas dicas são válidas tanto para a Internet quanto para o mundo lá fora – as regras são as mesmas. Sendo assim, é ilegal vender remédios sem receita, seja fora ou dentro da rede, é ilegal cobrar por consulta psicológica até que sejam feitas pesquisas científicas neste sentido, é imprudente acreditar em um tratamento prescrito sem um exame clínico realizado por um médico credenciado... Em favor da rede, a chance que o usuário tem de comparar os diversos serviços e conferir se estão ou não dentro destes critérios mínimos de confiabilidade – na verdade, o grande fim da Internet é justamente proporcionar uma maior amplitude do exercício do direito de escolha.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             03 de Outubro de 2000


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