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Artigos de saúde

Dieta Vegetariana na Gravidez: Riscos e Benefícios

Neste Artigo:

- Estou Grávida. E Agora?
- O Mito das Proteínas
- Mãe Vegetariana – Vantagens e Desvantagens
- A Dieta da Xuxa
- Advertências
- Dicas
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"É preciso muito mais que apenas o solo, o ar e o calor para que uma planta cresça. É preciso regá-lo e dar ao solo os nutrientes de que ele precisa. Assim também a mulher em estado de gravidez, e mais ainda se ela se decidir por uma dieta diferente daquela que está habituada. A dieta vegetariana é uma opção saudável, desde que a grávida siga os cuidados básicos de quem tem que se alimentar e se nutrir por dois. Neste artigo, algumas orientações sobre o propagado valor das proteínas, além de dicas e advertências básicas para que o bebê cresça com saúde. Você vai conhecer também uma vegetariana que deu certo e que teve uma gravidez feliz, a Xuxa. Sempre lembrando que ela possui as condições ideais para este tipo de dieta, que inclui alimentos às vezes não tão acessíveis e não tão baratos. Por isso, nada exclui o pré-natal e o acompanhamento do médico, mês a mês, e o bom senso, quando a grávida deve comer aquilo que lhe é permitido e também que lhe é possível, em relação ao meio que a cerca".

Estou Grávida. E Agora?

Uma árvore frutífera vive saudável e produz bons frutos quando o solo em que ela está plantada é tratado com todos os cuidados necessários para se manter rico e com boa irrigação, ainda antes da colheita. Da mesma forma que uma árvore extrai seus nutrientes do solo para dar frutos, é necessário que uma mulher grávida se alimente da melhor maneira possível para garantir ao organismo dela e ao do bebê um desenvolvimento sadio.

Na dieta vegetariana, o grupo básico de alimentos clássicos – as carnes, os laticínios, as frutas e vegetais, os cereais – não estão todos presentes. A dieta vegetariana, segundo o padrão Vegan de vegetarianismo, pressupõe abolir totalmente toda carne animal e todos os produtos derivados de animais, como o leite e os queijos.

Entre um extremo e outro, a grávida deve encontrar, junto com seu médico, o que é melhor para ela e o bebê durante o período de gestação.

A Dra. Leila P. Rizzo, ginecologista, explica que o organismo da mulher deve seguir e reforçar a alimentação a que ele está habituado e que, na falta da proteína animal em sua dieta, a gestante deve se informar como obter o melhor índice de proteína vegetal para suprir esta deficiência.

O Mito das Proteínas

A União Vegetariana Internacional (UVI), em seus artigos, tenta lançar alguma luz sobre o mito das proteínas. A Dra. Reed Mangels, médica nutricionista da UVI, começa por examinar os antecedentes do mito da complementação de proteínas. "A proteína é feita de aminoácidos, descritos muitas vezes como tijolos. Na verdade, temos necessidade biológica de aminoácidos, e não de proteínas", diz a médica. Ela acrescenta que os seres humanos não podem fabricar nove dos vinte aminoácidos mais comuns, e por isso eles são considerados essenciais. "Em outras palavras, precisamos recebê-los na dieta. Precisamos dos nove aminoácidos para que nosso corpo fabrique proteína", acrescenta a nutricionista.

Para explicar mais além, a Dra. Mangels prossegue dizendo – "Ovos, leite de vaca, carne e peixe foram chamados de proteína de alta qualidade. Isto significa que contêm grande quantidade de todos os aminoácidos essenciais. Soja, quinoa (cereal nativo dos Andes) e espinafre também são considerados fontes de proteína de alta qualidade. Outras fontes protéicas de origem não-animal costumam ter todos os aminoácidos essenciais, mas a quantidade de um ou dois deles pode ser pequena". A médica dá um exemplo: "os cereais têm pouca lisina (aminoácido essencial) e as leguminosas têm menos metionina (outro aminoácido essencial) do que as fontes protéicas ditas de alta qualidade".

A União Vegetariana Internacional entende, assim, que os aminoácidos, presentes nas proteínas, é que são necessários ao organismo, e afirma que os vegans (pessoas que se dedicam à nutrição vegetariana padrão Vegan) são sempre bombardeados sobre a possibilidade da sua alimentação não conter proteína suficiente.

Para as gestantes, esse mito é ainda mais acentuado, uma vez que a gravidez requisita do organismo mais proteínas para dar ao bebê. Mesmo assim, a UVI afirma que a dieta vegetariana é bastante rica em proteínas, bastando ser uma dieta balanceada, e lembra: não apenas as proteínas são importantes na gravidez, mas também as calorias (através dos carboidratos), os sais minerais, a água, os óleos e as gorduras (presente em frutas como nozes, castanhas e em grãos como amendoim) e as vitaminas (frutas e hortaliças).

Mas a Dra. Rizzo faz um alerta. Ela explica que as fontes de proteína podem não ser tão boas quando os alimentos são extraídos de um solo pobre, pouco fértil, e que muitas vezes as grávidas precisam de suplementos alimentares. A Dra. Rizzo enfatiza a necessidade da jovem mãe buscar uma dieta equilibrada, com uma variedade grande de alimentos, para tentar retirar dos próprios alimentos os nutrientes necessários, sem a necessidade de complementar a dieta com remédios.

Mãe Vegetariana – Vantagens e Desvantagens

Os adeptos do vegetarianismo, entre eles a UVI, sustentam que uma das vantagens da dieta vegetariana na gravidez é que a digestão dos alimentos é melhor e mais rápida. Por conseqüência, o funcionamento dos rins também sofre menos, pois a carne vermelha contida na dieta não vegetariana libera toxinas.

Mas a grávida deve ficar atenta aos produtos naturais, pois se passados da validade ou se tiverem problema no cultivo ou na armazenagem (como os amendoins no Brasil, que, pouco tempo atrás, foram contaminados por fungos muito perigosos à saúde humana), podem também liberar toxinas.

Para se assegurar de que a ingestão de ferro é satisfatória, a grávida deve obter fontes de vitamina C como tomate, brócolis, melão, laranja ou outro suco de frutas às refeições. Essas comidas realçam a absorção do ferro nos legumes e grãos, tornando-o mais solúvel. Também o leite e seus derivados, para quem não segue uma dieta estritamente Vegan, tais como iogurte e queijo, são excelentes fontes de cálcio, tão importante na gravidez quanto no período de amamentação. Os Vegans podem obter cálcio de comidas como tofu, couve, repolho, sementes de girassol, figos secos. A vantagem, no caso, é que os alimentos podem ser substituídos. A desvantagem é que, muito embora os Vegans afirmem que a dieta vegetariana é bem mais econômica, alguns tipos de peixe como o salmão e de alimentos naturais como tofu, sementes, figos secos e outros têm um custo maior, por não serem facilmente encontrados a não ser nos entrepostos de comida natural, não acessível a toda mulher grávida de todas as camadas sociais.

A Dieta da Xuxa

A apresentadora Maria da Graça (Xuxa) Meneghel é assídua leitora de livros de medicina alternativa e segue basicamente uma alimentação vegetariana. Ela e Madonna são apontadas pelos vegetarianos como exemplos de vitalidade e saúde, e ambas tiveram filhos sem abrir mão de seus hábitos alimentares. Durante a gravidez, Xuxa seguiu os mesmos padrões de alimentação vegetarianos a que estava habituada e teve uma gravidez tranqüila. Seu cardápio não inclui a carne vermelha, nem os açúcares ou farinhas refinadas, queijos, manteiga e sal. Na verdade, porém, seus hábitos vegetarianos não começaram agora. A preferência pelos alimentos naturais e integrais começou no início da sua adolescência, muito antes de conceber a filha Sasha que conta hoje dois anos. Sua governanta, Maria, é quem cuida pessoalmente dos pratos da artista, em geral sem proteínas animais. Maria conta que faz empadões de trigo integral, com recheio de tofu e legumes, carne de soja, sopas e às vezes um peixe assado ou grelhado, como um filé de viola, linguado ou salmão". Para dar um sabor aos pratos, Xuxa costuma temperá-los com gergelim torrado, molho de soja e vinagre de umeboshi (ameixa japonesa, salgada e vermelha). Xuxa também aprecia doces, feitos com frutas secas, mel e malte de cereais, e eventualmente chocolate.

Advertências

Mães que nunca foram vegetarianas, lembra a Dra. Rizzo, não deveriam iniciar esse tipo de alimentação justamente na gravidez, principalmente sem aconselhamento de um médico, endocrinologista ou nutricionista.

É necessário seguir uma dieta balanceada, que não vá ‘nem tanto ao céu, nem tanto a terra’, principalmente com relação ao ferro. Uma quantidade insuficiente de ferro provoca anemia, assim como uma quantidade excessiva de ferro também é prejudicial, diz a Dra. Rizzo.

Se, além da carne, a pessoa abolir outras fontes protéicas animais (como ovo e leite), será preciso ainda o suplemento de vitamina B12, avisa também o endocrinologista Luiz E. Calliari. Isto porque, segundo as próprias normas de padrão Vegan, os vegetarianos podem ter insuficiência de ferro, zinco e cobre, além da ausência da vitamina B12, só encontrada em alimentos de origem animal.

Dicas

-
Não inicie uma dieta vegetariana por modismo ou para acompanhar os hábitos de outras pessoas da família, principalmente na gravidez.

- Se já é vegetariana, procure ingerir alimentos bem variados, de preferência pelo menos um de cada cor.

- Ser vegetariano não implica em seguir uma dieta saudável, se a alimentação não for balanceada. Existem dietas pobres entre os vegetarianos ou não.

- Fumar durante a gravidez, ingerir álcool ou drogas são hábitos que a mulher deve abolir, mesmo vegetariana.

- Consulte seu médico quanto aos alimentos ricos em cálcio que possam substituir o leite, caso sua dieta exclua também os produtos derivados de animais.

- O ganho de peso durante a gravidez, idealmente, não deve ultrapassar onze quilos até o último mês. Uma dieta vegetariana não garante um ganho de peso maior ou menor, assim, para um peso gestacional ideal, convém não abusar dos doces e carboidratos.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             28 de Setembro de 2000


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