Publicidade

Artigos de saúde

Guardiãs Contra a Dor

Neste Artigo:

- Introdução
- Benefícios e Contra-Indicações
- Casos e Estatísticas
- Veja Outros Artigos Relacionados ao Tema

Uma das preocupações fundamentais da medicina é a de oferecer paliativos contra a dor. Os analgésicos, que são estudados desde o início da humanidade, se bem oferecem uma solução para nos liberar do sofrimento que acompanha muitas enfermidades e condições, também possuem efeitos colaterais nem sempre benéficos para a saúde. E desta forma, como sempre, antes de tomar um medicamento é importante consultar um médico.

Introdução

Em invólucros vermelhos, verdes, ovalados, redondos, alongados, injetáveis, em gotas... As soluções para as dores que nos incomodam em intervalos ao longo da vida são encontrados em todos os tipos de embalagens, formas e tamanhos. Mas o que os diferencia?

"Se bem que todos os analgésicos sejam medicamentos que aliviam a dor, antes de mais nada se deve diferenciá-los em dois grupos: os opiáceos ou narcóticos, e os não opiáceos ou não esteróides, também conhecidos como AINE", explica o bioquímico Martín Ainciburu, professor da Universidade de Buenos Aires, Argentina.

"Os analgésicos opiáceos são os que apresentam maior eficácia porque atuam diretamente sobre o sistema nervoso central", comenta Ainciburu. Sem dúvida, estão distantes de representar uma panacéia porque "alteram a percepção dos pacientes e o seu maior problema tem a ver com a tolerância e a dependência".

Segundo "As bases farmacológicas da terapêutica", de Goodman & Gilman, (Editorial McGraw Hill), os analgésicos opiáceos podem ser tanto sintéticos como naturais. Mas esta diferença em sua gênesis não afeta as suas propriedades farmacológicas, que são similares.

O opiáceo prototípico é a morfina, disponível em formatos injetáveis ou orais, e em uma solução oral de administração lenta que se utiliza principalmente para tratar os casos de dor crônica. Outros são a codeína e a metadona. Mas se são muito eficazes para controlar a dor, os opiáceos possuem muitos efeitos secundários e suas vantagens e desvantagens variam segundo o analgésico.

"Em geral, os analgésicos narcóticos provocam constipação intestinal, especialmente em pessoas idosas. Tampouco é raro que aqueles que tomam doses elevadas sofram de sonolência e também venham a experimentar um aumento da sensação de náusea. Em excesso, podem causar perigosas depressões respiratórias e até mesmo um estado de coma".

Benefícios e Contra-Indicações

"Os AINE, antiinflamatórios não esteróides, são os que se utilizam de forma mais cotidiana e muitos deles são de venda livre, esclarece Ainciburu. Isto contribui para que muita gente os tome sem averiguar as suas contra-indicações". De forma diferente dos analgésicos narcóticos, os AINE não atuam sobre o sistema nervoso, e sim sobre a produção de prostaglandina, uma substância que toma parte dos processos inflamatórios. A ação dos AINE é dupla: interferem sobre o sistema de prostaglandinas e reduzem a inflamação, o inchaço e a irritação que geralmente circunda uma ferida e que faz com que a dor seja pior. Como não atuam sobre o sistema nervoso, não geram dependência e não alteram os sentidos de percepção dos indivíduos da forma como podem agir os analgésicos narcóticos.

A aspirina, ácido acetilsalicílico, ou AAS, é o AINE de uso mais difundido e trabalha em parte através da supressão da produção de prostaglandina. Como a morfina e os analgésicos opiáceos, a aspirina é o protótipo dos antiinflamatórios não esteróideos. Se bem administrada por via oral, proporciona um alívio moderado de 4 a 6 horas. Tampouco está isenta de efeitos secundários e se ingerida de forma desmedida pode irritar o estômago (por isso se aconselha a sua administração em conjunto com alimentos e antiácidos para contribuir na prevenção da irritação gástrica), produzindo úlceras pépticas; devido a sua ação sobre a coagulação sangüínea pode produzir hemorragias em qualquer parte do corpo; e doses muito elevadas podem causar reações adversas graves como a respiração anormal.

Se bem que ação dos diferentes AINE seja equivalente em termos de sua eficácia, muitas pessoas respondem a sua administração de maneira diferente e, em geral, todos podem vir a sofrer de irritação estomacal e úlceras pépticas em maior ou menor grau. Por isso, não se devem tomar aspirinas em caso da presença de úlceras, já que o medicamento pode piorar os sintomas, assim como em caso de enfermidades do rim e fígado.

A doutora Mirta Elena Ryczel, do Serviço de Assessoria em Toxicologia do Hospital Posadas, de Buenos Aires, adverte que "por ser de uso cotidiano, muitas pessoas pressupõem que as aspirinas são inócuas, e não se trata do caso. É importante saber o que cada medicamento ataca, porque muitas vezes pessoas tomam aspirinas para acalmar os nervos e apenas estão tomando um placebo". A doutora Ryczel adverte que não se deve dar aspirinas a crianças se há evidências de uma infecção viral, devido a possibilidade que desenvolvam a síndrome de Reye, uma desordem rara mas fatal, que pode causar danos cerebrais.

Casos e Estatísticas

Sobre este ponto, o Dr. Eduardo Domínguez, executivo da empresa produtora da aspirina, Bayer, esclareceu que "a aparição de casos da síndrome de Reye é tão baixa que é difícil acompanhá-los. Estamos falando de uma porcentagem de aproximadamente um em um milhão, o que torna difícil a sua detecção e, devido a isso, realizar um estudo sério sobre o mesmo. Se bem que tenham existido casos nos quais a ingestão de aspirina foi relacionada com o desenvolvimento desta rara síndrome, também foram detectados casos relacionados com a ingestão de ibuprofeno. Por esta razão, se fala na possibilidade de que exista um condicionamento do tipo genético, mas como eu disse antes, os casos são tão raros que ainda não foi possível realizar um estudo a fundo".

Sobre o resto das contra-indicações, Dominguez assegurou que "tudo o que sobra é ruim. Apenas se deve tomar aspirina como está indicado, ou seja, como um analgésico, antiinflamatório e antifebril. Em termos da prevenção do infarto do miocárdio, apenas se deveria tomar meia aspirina diária no caso em que o paciente seja um hipertenso controlado. El HOT, o maior estudo sobre a hipertensão arterial que foi feito nos últimos anos, demonstrou que quando se diminuía a pressão mínima (diastólica) foi quando se alcançaram os melhores resultados em tratamentos de pacientes com problemas de hipertensão. Adicionalmente, durante este estudo, a metade dos casos recebeu uma baixa dose de aspirina, enquanto a outra metade recebeu um placebo. Isto demonstrou que o primeiro grupo obteve um benefício adicional. Foi observada uma diminuição de infartos do miocárdio de 36% e não foram observadas incidências de hemorragias cerebrais. Desta forma, se o paciente hipertenso não se encontra sob controle, não é conveniente que tome aspirina".

Por outro lado, Domínguez aconselha aos pacientes ler a bula antes de consumir qualquer analgésico. Com respeito a aspirina, adverte que não se deve tomar mais de quatro gramas diárias de aspirina (ainda que se possa tomar duas doses em conjunto). Em todos os casos deve-se consultar um médico.

Sobre as mulheres grávidas, elas não devem utilizar aspirinas durante o último trimestre da gestação porque isto aumenta o risco de hemorragias durante o parto. Uma alternativa a aspirina é o acetaminofeno, um substituto da aspirina analgésica, ao qual é creditado uma atuação direta nos terminais nervosos para suprimir a dor. É mais amável com o estômago do que a aspirina ainda que, caso tomado em excesso pode causar danos letais ao fígado para pessoas que tomam muitas bebidas alcóolicas.

Se bem que o ibuprofeno e o naproxeno sódico são calmantes muito fortes, e sejam mais suaves com o estômago do que a aspirina, eles devem ser evitados por pessoas com úlceras ou alérgicas a aspirina. Também podem causar o mal funcionamento do fígado ou interferir com a coagulação sangüínea. "O mais importante a ter em conta sobre os medicamentos de venda livre é que não devem ser utilizados por períodos prolongados, conclui a doutora Ryczel. E sempre se deve tomar cuidado com as crianças. No ambiente hospitalar, um dos casos mais comuns de intoxicação com analgésicos é o de crianças que ingerem aspirinas infantis em demasiado".

Copyright © 2000 eHealth Latin America             26 de Setembro de 2000


Artigos relacionados com esse tema:

Tratamento da Dor Relacionada com a Raça dos Pacientes nos Estados Unidos

Dores de Cabeça: Enxaqueca

A Sensação de Dor é Diferente de Pessoa para Pessoa



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: