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Artigos de saúde

Alimentos Transgênicos

Neste Artigo:

- Ecossistema – Alimento Para Quê?
- Cadeia Alimentar – Quem Come Quem
- O Que é o Alimento Transgênico
- Argumentos a Favor do Cultivo
- Argumentos Contra o Cultivo
- A Fome no Mundo: Polêmica e Ética - Quanto Vale uma Vida?
- O Brasil e os Transgênicos
- Soluções Alternativas
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"Ninguém deve passar fome numa área de dez quilômetros ao redor de nossos templos"

Srila Prabhupada

Do ecossistema às soluções alternativas para solucionar a questão da fome da raça humana, cientistas, agricultores e autoridades em geral estão agora empenhados em uma questão: a produção dos alimentos transgênicos. As controvérsias, os argumentos contra e a favor crescem a cada dia. Neste artigo, você acompanha a questão do alimento geneticamente modificado desde o surgimento das espécies e da necessidade de se alimentarem para sobreviver, pois este é um tema que não se pode entender isoladamente. Hoje, com a população crescendo em níveis vertiginosos, a solução para a fome pode estar dentro de um laboratório, mas pode estar também em regras simples de consumo e de respeito à natureza, evitando o desperdício, e também em uma reflexão sobre a ética entre os seres humanos.

Ecossistema – Alimento Para Quê?

Para chegar ao alimento transgênico, é preciso antes conhecer em que ponto do elo de vida ele se encontra e, por isso, é necessário entender o que é o ecossistema.

Imagine que você é convidado a entrar em uma nave, que o leva a dar uma volta para bem longe do planeta Terra. Dessa nave, você vê o planeta suspenso no que os cientistas chamam de infinito espaço cósmico. Esse mesmo planeta visto assim de longe e por inteiro, é formado por regiões que abrigam as mais variadas formas de vida. Esse conjunto de regiões onde a vida existe é chamado biosfera, o maior ecossistema que nos diz respeito de perto, como habitantes da Terra.

Existem, no entanto, inúmeros ecossistemas dentro da biosfera. Em síntese, um ecossistema é formado por um dado lugar ou região e pela comunidade de seres vivos nesse lugar, que se interagem continuamente. Quando qualquer dos elementos do lugar é afetado, como os minerais e a água do solo, ou os gases, a umidade, a temperatura e a luminosidade da atmosfera, os seres vivos são imediatamente afetados.

Assim, em uma compreensão milenar, a vida existe em função de quatro elementos: água, ar, terra e fogo, sem os quais nós não sobreviveríamos.

Mas os seres vivos também afetam e são afetados pelos próprios seres vivos, pois um se alimenta do outro. O alimento (que corresponde ao elemento terra) de cada espécie viva é fundamental para que as espécies continuem a existir.

Os alimentos contêm nutrientes orgânicos (enquanto que o solo e a água, por exemplo, fornecem nutrientes minerais) e a saúde e a vida não são possíveis sem eles.

Como todos os seres vivos, pela própria condição e pelo instinto de sobrevivência, pretendem continuar vivos, passa então a valer a chamada ‘lei da Natureza’, onde os mais fortes se nutrem dos mais fracos. Começa aí a se esboçar na Terra, segundo biólogos como Amabis e Martho, a chamada cadeia alimentar. Vamos continuar a investigação, pois em algum ponto dessa cadeia alimentar, a qualquer momento, vão surgir os alimentos transgênicos, invenção humana que vem dividindo as opiniões.

Cadeia Alimentar – Quem Come Quem

Os membros dos vários ecossistemas variam, embora a necessidade de alimentação seja a mesma para todos. A cadeia alimentar, segundo Amabis, é uma seqüência linear que se compõe de produtores, consumidores e decompositores.

Nessa seqüência, por exemplo, algas, plantas e alguns tipos de bactérias são produtores, porque são eles os responsáveis pela produção de todo alimento que mantém o ecossistema.

Em seguida vêm os consumidores, como os animais que se alimentam de plantas, os animais carnívoros que se alimentam dos animais herbívoros e os animais carnívoros que se alimentam de outros animais também carnívoros.

No fim da cadeia alimentar estão os decompositores, em geral microorganismos, (como fungos e alguns tipos de bactérias). Os decompositores se alimentam do que restou das matérias mortas tanto de produtores quanto de consumidores, isto é, dos restos de qualquer coisa que antes estivesse viva.

O homem é um consumidor de todas as espécies vivas, desde plantas, animais herbívoros e carnívoros, e ainda tem o poder de manipular o ambiente e de criar novos seres a partir dos seres existentes. Foi assim, e há bem pouco tempo (por volta de 1970), que o homem chegou a criar e produzir o alimento transgênico.

O Que é o Alimento Transgênico

Estudando as espécies vivas de plantas como o trigo e a soja, por exemplo, a engenharia genética conseguiu introduzir nelas organismos de outras espécies, como as bactérias.

O alimento transgênico, portanto, é um alimento geneticamente modificado, onde algumas propriedades de certas bactérias são introduzidas nas plantas e delas começam a fazer parte.

A engenharia genética também faz experimentos de duplicação de animais, porém, segundo Amabis, em certos aspectos, a manipulação genética das plantas é mais fácil que a de animais porque em muitos casos se pode obter uma planta completa a partir de uma única célula da ‘planta-mãe’.

Entre outras situações, a engenharia genética é capaz de produzir plantas transgênicas com genes bacterianos que dão resistência a pragas da lavoura, diz o biólogo. Menos pragas, lavouras mais produtivas, mais alimentos disponíveis aos homens, menor custo.

O assunto, no entanto, não é tão simples – mais produção e menor custo, significando mais alimentos disponíveis, implicam com certeza em mais saúde para a população?

Uma espécie viva (a bactéria), emprestando suas propriedades a outra espécie viva (o alimento que será consumido), trará benefícios ou malefícios? Até hoje, cientistas e estudiosos não chegaram a um acordo. Os argumentos contra e a favor podem ajudar o leitor a tomar posição, mas não são definitivos, pois, além do estudo dos transgênicos em si, muitos outros fatores contraditórios estão em jogo: ética, poder, dinheiro, idealismo, interesses internacionais, sem contar com um fator inevitável – a atual superpopulação da Terra.

Argumentos a Favor do Cultivo

Os alimentos transgênicos encontraram muitos defensores, desde que começou essa discussão. Entre os argumentos, estão:

  • A produção dos alimentos transgênicos em larga escala beneficia o consumo humano, pois é menos onerosa e isso a tornaria acessível a toda a população.



  • A manipulação genética de plantas é relativamente simples e fácil, pois a partir de uma única célula se pode obter outra planta (Amabis).



  • As propriedades dos genes bacterianos de resistência a pragas na lavoura seriam transportadas para as plantas transgênicas, com o mesmo efeito, e isso viria a baratear o custo dos alimentos.



  • Uma das esperanças dos cientistas, diz Amabis, é a de que as variedades produzidas adquiram a capacidade de fixar o nitrogênio diretamente do ar, como fazem as bactérias e algumas leguminosas, e para isso eles consideram que a produção agrícola fica limitada justamente pela disponibilidade de nitrogênio no solo.



  • Uma planta com maior teor de nutrientes pode saciar a fome e trazer benefícios à saúde.



  • Alguns alimentos tiveram comprovados certos benefícios, com alto teor de vitaminas. Por exemplo, em 1997, segundo a Cronologia dos Transgênicos publicada na Folha de São Paulo, uma instituição americana, a Sustainabele Maize and Wheat Systems for the Poor (Sistemas Sustentáveis de Milho e Trigo para Pobres), desenvolveu um milho híbrido mais rico em vitamina A, zinco e ferro.



  • A produção de um alimento transgênico permite introduzir, nesse alimento, elementos que antes não existiam como o betacaroteno (da vitamina A), tornando-o mais rico e saudável.



  • Engrossando a fila dos argumentos positivos, ainda segundo a Folha de São Paulo, em 1999 a Embrapa desenvolveu um tipo de feijão resistente ao vírus responsável por perdas de até 100% das plantas durante o cultivo.



  • Nos anos 60, durante a Revolução Verde, um pesquisador norte-americano contribuiu no desenvolvimento de variedades de trigo que permitiram triplicar sua produção e saciar a fome de milhares de pessoas, obtendo com isso o Prêmio Nobel.

Argumentos Contra o Cultivo

Na Apostila Sobre Transgênicos citada na Folha de São Paulo, a PTA (Projetos em Agricultura Alternativa), endossada por outras empresas e associações alternativas, enumera vários riscos teóricos do consumo de alimentos transgênicos, dentre eles:

  • Os transgênicos representam um aumento de riscos para a saúde dos consumidores e as multinacionais querem negar o direito dos consumidores à informação.



  • Não há regulamentos técnicos para a segurança no uso dos produtos transgênicos, e estes tendem a provocar a perda da diversidade genética na agricultura.



  • A erosão genética ameaça o futuro da agricultura e os transgênicos tornam a agricultura mais arriscada, podendo provocar a poluição genética e o surgimento de superpragas, além de matar insetos benéficos para a agricultura.



  • Os transgênicos podem afetar a vida microbiana no solo e os impactos dos transgênicos na natureza são irreversíveis.



  • Os transgênicos podem provocar queda na produção e/ou aumento de seus custos.



  • Ninguém quer assumir a responsabilidade pelos riscos dos transgênicos.



  • Umas poucas multinacionais podem monopolizar a produção de sementes para a agricultura, tornando agricultores brasileiros e o Brasil dependentes de seus interesses.



  • As variedades transgênicas não são mais produtivas do que as convencionais ou muitas das tradicionais.



  • Os transgênicos podem aumentar o desemprego e a exclusão social no Brasil e representam um risco para a segurança alimentar dos brasileiros.



  • Não existem conhecimentos científicos sobre os impactos do uso de transgênicos no meio ambiente ou na saúde humana para a realidade brasileira.



  • Existem outras alternativas mais eficientes que os transgênicos e sem os riscos que estes implicam.



A Fome no Mundo: Polêmica e Ética - Quanto Vale uma Vida?

As discussões em torno de produzir ou não alimentos transgênicos incluem a discussão sobre a fome no mundo. O Prêmio Nobel da Paz norte-americano, Norman Ernest Borlaug, entrevistado por Marcelo Leite para a Folha, revelou acreditar que sem a agricultura intensiva, não há como alimentar a população mundial. Pesquisador e defensor dos alimentos transgênicos, Dr. Borlaug entende ser esta uma das soluções para a fome, um dilema pelo qual ele vem lutando há anos.

Entretanto, de acordo com a Cronologia dos Transgênicos (Folha de SP), em 1989, nos Estados Unidos, 5.000 pessoas ficaram doentes, 37 pessoas morreram e 1.500 ficaram inválidas depois de consumirem um suplemento alimentar feito a partir de uma bactéria modificada geneticamente, produzido pela empresa japonesa Showa Denko.

Sem esquecer que, transgênico ou orgânico, qualquer alimento pode provocar desde simples alergias até intoxicações fatais, isso nos remete à questão da ética, ou seja, para se matar a fome no mundo deve-se produzir alimentos cuja toxicidade ainda não tenha sido amplamente testada?

Dr. Borlaug diz que as controvérsias sobre os alimentos transgênicos são emocionais, enquanto ambientalistas tentam prevenir as comunidades para que se utilizem somente de alimentos orgânicos. E até a presente data, nenhuma fonte científica indicou exatamente o que pode e o que não pode causar a bactéria que deu origem aos transgênicos, além dos potenciais fatores positivos que os transgênicos podem trazer como diminuição do custo, aumento da resistência na lavoura e etc. Vale lembrar que, ainda de acordo com a Cronologia dos Transgênicos indicada na Folha de São Paulo, "na 5ª Conferência da Biodiversidade das Nações Unidas, em Cartagena, Colômbia, 170 países não chegam a um consenso sobre um Protocolo de Biossegurança 2000".

Num primeiro momento, é de se esperar que seja interessante para um agricultor colher o dobro de sua safra, e mais resistente, em um mesmo metro de terra. Mas ainda haverá muita discussão em torno dos transgênicos até que eles sejam considerados a ‘salvação da lavoura’. E pode se passar um tempo demasiado longo antes que a população seja inteirada dos efeitos de um alimento geneticamente modificado, que nem mesmo os países mais adiantados como os Estados Unidos não chegaram ainda a controlar. Enquanto agricultores, produtores, cientistas e ambientalistas não chegam a um consenso, a população continua crescendo, assim como a fome no mundo também.

O Brasil e os Transgênicos

Por ter cultivado mais o alimento orgânico até agora, como, por exemplo, a soja, o Brasil vem crescendo no mercado de exportações, segundo dados da Folha, sinal de que os outros países ainda não aderiram totalmente aos alimentos transgênicos. A alegação de alguns países é a de que a disseminação dos transgênicos pode vir a se mostrar predatória em certo sentido.

"Mas a agricultura é, em si, uma atividade predatória", afirma o biólogo Adilson Leite, da Unicamp. "Os transgênicos nos permitem aumentar a produtividade sem aumentar a área cultivada, o que é bom para o ambiente".

Não se pode perder de vista, porém, que o Brasil tem cerca de 8.511.965 Km2 de extensão e que muita terra ainda se encontra improdutiva, ou seja, ainda que a população brasileira venha a duplicar-se, sobra muito espaço para o plantio, se espaço de terra for a principal condição para se ter o alimento na mesa do brasileiro. É importante acompanhar de perto a questão dos alimentos transgênicos, pois o simples rótulo na embalagem só indica a presença ou não desse alimento, mas não indica o que mais pode estar ali contido ou o que isso significa para nossa saúde.

Soluções Alternativas

Produzir mais e mais pode não ser a única solução. Os grupos que apontam, desde antes do advento dos transgênicos, soluções alternativas para o problema da fome no mundo são as comunidades religiosas. Para muitas delas, o valor da vida e a questão alimentar estão acima de qualquer outra questão e, se quisermos ter alimento suficiente para a população da Terra, os argumentos dessas comunidades, mesmo soando ingênuos ou conservadores para os cientistas, não devem ser desprezados.

Assim, o budismo, por exemplo, dá uma receita simples: Um dia sem trabalho é um dia sem comida. Uma fábula budista mostra que se cada ser humano se empenhar em obter e consumir apenas o suficiente para seu sustento e da família - como fazem os animais - haverá sempre alimentos para todos.

A estocagem de alimentos por parte de cada pessoa, além do que ela própria consome, o desperdício e a falta de solidariedade, diz o budismo, é que conduz à falta de alimentos para uma parte da população.

Coisa semelhante diz o cristianismo, quando ensina a repartir o pão e faz extensas reflexões a partir dos pobres, dentre esses os agricultores sem terra que, se incentivados adequadamente, têm condições de voltar a plantar.

As comunidades Hare Krishna, por sua vez, adotam a postura de incentivar o próprio cultivo e as comunidades rurais. "Ninguém deve passar fome numa área de dez quilômetros ao redor de nossos templos", afirmava Srila Prabhupada repetidas vezes a seus discípulos. O programa dos voluntários da comunidade Hare Krishna inclui distribuição de alimentos para a população carente do Brasil, de Dallas, Miami, Paris, Londres e Nova Iorque.

Os quakers, por outro lado, aprenderam e já ensinaram a arte de conservação de grãos e outros alimentos que, se seguida, pode se converter em uma arma contra o desperdício.

O adventista vem, ao longo dos anos, desenvolvendo uma ampla literatura a respeito dos alimentos naturais e de seu uso, inclusive com entrepostos e cursos de como utilizar e conservar o alimento.

Ainda assim, cientistas como Dr. Borlaug – favorável à produção dos transgênicos - se preocupam com o futuro. Respondendo à reportagem da Folha, ele diz: "Algumas pessoas dizem que deveríamos voltar aos métodos que eram usados para produzir alimentos nos anos 30, antes do advento dos defensivos agrícolas. Mas o que vamos fazer com os quatro bilhões de pessoas que temos hoje a mais, em relação a 1930? O que aconteceria se não tivéssemos usado fertilizantes? Quantas florestas a mais teríamos de abater para produzir toda essa comida?".

Esses são temas que também não devem ser perdidos de vista. Mas, como lembrou ainda o repórter da Folha na mesma entrevista ao Dr. Borlaug: "Pegar um gene de uma bactéria e transferir para uma planta é algo muito diferente do que a natureza faz".

E, para o bem da nossa saúde, o assunto ainda terá que ser mais claramente explicado.

Copyright © 2000 eHealth Latin America 26 de Setembro de 2000


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