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Artigos de saúde

Relação da Pílula e Acidentes Vasculares Cerebrais

Neste Artigo:

- Um contraceptivo que mudou comportamentos
- Tipos de Contraceptivos: Da Primeira à Terceira Geração
- Riscos e Benefícios em Debate
- Incidência de AVC entre as Usuárias de Pílulas
- O Risco Aumenta para as Fumantes
- Recomendações: Melhor Informação Permite Melhores Escolhas
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"Apesar de toda a revolução cultural que os contraceptivos hormonais trouxeram para a humanidade, o debate sobre seus efeitos colaterais, entre eles uma maior incidência de acidentes vasculares cerebrais, continua acirrado. Pesquisas sobre o assunto determinam que informação na hora de escolher o método planejamento familiar mais adequado à idade, condições e antecedentes é a melhor forma de prevenir problemas de saúde, entre eles o AVC".

Um contraceptivo que mudou comportamentos

Nos primeiros anos da década de 60, com o surgimento e a utilização em larga escala dos contraceptivos hormonais, mais conhecidos por pílulas anticoncepcionais - a sociedade assistia uma revolução que atingiria muito mais que o planejamento familiar de milhares de casais. A descoberta possibilitou também a melhoria de saúde da mulher, bem como repercutiram diretamente nos costumes de populações de todos os quadrantes do mundo. Entretanto, apesar de todos os esforços da ciência médica para ampliar as opções de métodos anticonceptivos e a melhoria na segurança e eficácia dos existentes, uma parte considerável da população mundial ainda não tem acesso aos métodos de planejamento familiar, inclusive às pílulas, apesar das pesquisas demonstrarem que os desejam. A estimativa da Organização Mundial de Saúde/OMS aponta que pelo menos 350 milhões de casais estão sem qualquer tipo de assistência nessa área.

Nas últimas décadas, ocorreu um rápido desenvolvimento na pesquisa e estudos com vistas a analisar o risco/benefício sobre segurança e eficácia de métodos contraceptivos, especialmente os hormonais; marcado pela transição dos conceptivos orais combinados de alta dosagem para os de baixa dosagem de estrogênio. Atualmente, é possível à mulher o acesso a produtos de diversos tipos de princípio ativo e formas de utilização, inclusive emergenciais para uso após as relações sexuais. Nesse contexto, passou a ser fundamental a participação da mulher na opção a ser escolhida junto com o seu médico assistente, no que diz respeito ao conhecimento da eficácia relativa do método, o uso consistente e correto, sinais e sintomas para retorno ao médico, bem como informações sobre o retorno à fertilidade após a suspensão do uso.

Tipos de Contraceptivos: Da Primeira à Terceira Geração

A grande maioria das pílulas é constituída a partir de dois hormônios femininos sintéticos: etinilestradinol (estrógeno) e progestágenos (progesterona). As primeiras gerações de pílulas com o etinilestradiol, que se mantém até hoje na composição dos contraceptivos, apresentavam no início altos conteúdos do princípio ativo, cerca de 100mcg, posteriormente passaram a 50mcg e na atualidade, estão no patamar de 20 mcg. Todavia - o que significou ultimamente uma evolução expressiva da terceira geração de contraceptivos hormonais - são os progestágenos que tem determinado menos efeitos colaterais, segundo registro da Organização Mundial de Saúde/OMS.

Além dos Contraceptivos Orais Combinados de Baixa Dosagem - COCs - (Etinilestradiol) de larga utilização, há as pílulas contraceptivas de emergência (ECPs) que devem ser tomadas até 72 horas a contar da relação sexual desprotegida para evitar a gravidez; apresentando uma considerável diminuição do efeito contraceptivo se tomada após esse prazo. Administrada em duas doses, ela pode ser tomada em qualquer momento durante o ciclo menstrual. Esse tipo de pílula está no mercado desde julho de 1999, quando foi lançada no VI Congresso de Ginecologia e Obstetrícia do Sudeste/Febrasgo.

Outra modalidade de pílula é a dos contraceptivos injetáveis combinados (CICs). Eles inibem a ovulação através da liberação de estrogênio "natural" (estradiol) mais progestogênio e permanecem no corpo de 8 a 11 dias, apresentando concentração semelhante as dos níveis do ciclo menstrual normal. Segundo o documento Critérios de Elegibilidade Médica para Uso de Contraceptivos publicado pela OMS ainda não há dados epidemiológicos sobre efeitos a longo prazo, mas estudos de curto prazo demonstram pouco efeito dos CICs sobre a pressão arterial, coagulação, metabolismo lipídico e função hepática. Além disso, a administração parenteral (injetável) elimina o efeito de primeira passagem de hormônios pelo fígado.

Estão, também, sendo utilizados modernamente os POCs -Contraceptivo com Progestogênio Apenas -, pílulas contraceptivas de baixa dosagem cuja função ativa, como diz o nome, é baseada em progestênicos.

Riscos e Benefícios em Debate

É recorrente na imprensa científica e leiga o tema dos efeitos colaterais do uso dos contraceptivos. Há alguns anos atrás, pesquisadores dinamarqueses da Sociedade Dinamarquesa de Câncer divulgaram relatório informando que a mais recente geração de contraceptivos orais pode elevar o risco de trombose na mulher em proporção maior do que os de primeira e segunda geração. A pesquisa realizada a partir da admissões hospitalares por tromboembolismo (embolia pulmonar e trombose venosa), constatou que no período entre 1988 e 1993 aumentaram em 16% a incidência de casos com esses fenômenos no público abordado - mulheres de 15 a 49 anos - em relação ao período de 1977 e 1988. Os autores acreditam que esses dados podem dar suporte a afirmação anterior, mas enfatizam a importância de outros trabalhos para elucidarem de vez essa questão.

Incidência de AVC entre as Usuárias de Pílulas

Em 1999, os doutores Schwingl P, Ory H e Visnes CM, publicavam artigo no The American Journal of Obstetrics and Ginecology, com as seguintes informações: os contraceptivos de baixa dosagem constituem, atualmente, cerca de 85% do que está disponível no mercado. A pesquisa demonstrou que frente a esses agentes o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) é de 0.3 para cada 100 mil usuárias e para os acidentes cerebrovasculares (AVC) o número ascende para 2.0, considerando o mesmo público analisado. Observa-se que este último dado torna-se menor entre as mulheres menores do que 35 anos, não fumantes e sem antecedentes de hipertensão arterial.

O Dr. Lotar Heinemann, do Center of Epidemiology and Health Research, Berlim-Alemanha, afirma em artigo publicado no Britsh Medical Journal-1997 que as probabilidades de acidentes cerebrovasculares nas mulheres em idade reprodutiva são muito baixas, mesmo considerando o risco. Ele também conclui que não existe diferença de risco entre a segunda e terceira geração de anticoncepcionais, pois só os de primeira geração apresentam risco maior e, mesmo assim, na utilização desses últimos, as probabilidades diminuem se há controle da pressão arterial.

O ginecologista e obstetra brasileiro Dr. Paulo Barcellos, da mesma forma não registra casos de acidente vascular cerebral desse tipo após o advento das pílulas de baixa dosagem de hormônios; o que chegou a ocorrer, antigamente, quando eram utilizadas as pílulas de primeira geração em larga escala. Ele comenta que "esses trabalhos tiveram grande repercussão no mundo médico, mas aqui no nosso meio, não temos evidências que comprovem esse dado".

O Risco Aumenta para as Fumantes

Especialistas da Saúde Familiar Internacional constataram a partir de estudo feito, que o número de mortes por IAM e AVC hemorrágico reduziu-se em 33% ao excluir aquelas mulheres que com risco prévio utilizaram contraceptivos orais apesar de estarem formalmente contra-indicados para elas. O trabalho, ao estabelecer uma relação entre o uso do cigarro e pílulas, constata que o risco de morte entre mulheres menores de 35 anos, não usuárias de contraceptivos e não-fumantes, é de 0.6, enquanto que para as fumantes são de 3.30; já para maiores de 35 anos as cifras ascendem para 6.21 para não-fumantes e 19.4 para as fumantes. Portanto, a utilização combinada de pílulas com o cigarro constitui grave risco à saúde da mulher, independente de idade e de contraceptivo usado.

Recomendações: Melhor Informação Permite Melhores Escolhas

A continuidade e correção do uso de contraceptivos orais, bem como de outros métodos, varia conforme aspectos como idade, posição econômica, desejo de impedir ou adiar uma gravidez e cultura. A maioria das mulheres tende a usar os métodos de maneira mais eficaz na medida em que adquire prática.

Muito embora a OMS continue aprofundando o estudo das questões pertinentes ao planejamento familiar, uso de métodos de contracepção em geral e desenvolvimento de normas internacionais para os critérios de elegibilidade médica em relação ao tema, a recomendação da instituição é enfatizar a importância da informação adequada para que o usuário, especialmente a mulher, possa fazer uma escolha voluntária e consciente.

Copyright © 2000 eHealth Latin America                 20 de Setembro de 2000.


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