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A Vacinação Contra o Vírus da Influenza em Crianças e seus Efeitos Sobre a Asma

Neste Artigo:

- Introdução
- O estudo
- Resultados
- Comentários
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A utilização de vacinas para o controle e erradicação de doenças transmissíveis vem sendo feita de maneira cientificamente comprovada desde 1796 (vacinação contra varíola). Além da vacinação de rotina, visando-se a erradicação de doenças, utilizam-se outras estratégias, como as campanhas nacionais de vacinação.

O objetivo final da vacinação–imunização é a erradicação de uma doença; o objetivo imediato é a prevenção dessa doença em indivíduos ou grupos de indivíduos.

A vacina contra o vírus da influenza deve ser administrada após os seis meses de idade. Vacinações anuais são indicadas, uma vez que a composição das vacinas é alterada anualmente em função das espécies de vírus.

Recomenda-se a vacinação para as crianças que tenham doenças crônicas como: doenças pulmonares crônicas, especialmente asma, doenças cardíacas, anemia ou outra doença sangüínea, infecção pelo vírus HIV (causador da AIDS), diabetes mellitus, doença renal crônica e artrite reumatóide.

Introdução

A asma é uma doença respiratória que consiste em um grande e crescente problema de saúde pública, especialmente, em relação às crianças. É a causa mais comum de internações hospitalares de crianças, sendo evidenciadas taxas de hospitalizações elevadas nas últimas décadas. A asma pode ser precipitada por diversos alérgenos, fatores irritantes, por infecções virais do trato respiratório superior, como resfriados e gripes, incluindo a influenza (um tipo de infecção viral). As infecções virais são os fatores desencadeantes de crise asmática mais freqüentes, sobretudo em crianças em idade pré-escolar.

A infecção causada pelo vírus influenza pode precipitar o agravamento de chieira torácica (respiração ruidosa) e obstrução dos brônquios em crianças, podendo exacerbar a asma em alguns pacientes. As autoridades da saúde em diversos países recomendam a vacinação anual contra influenza em pacientes portadores de asma. Apesar desta recomendação, somente um ínfimo número de crianças com asma são vacinadas anualmente contra o vírus da influenza.

Uma possível explicação para o pequeno número de crianças vacinadas anualmente contra influenza e, conseqüentemente, para uma baixa cobertura vacinal dos pacientes pediátricos portadores de asma, pode ser o fato de que esta vacina proporciona uma exacerbação da asma. O fato da vacina contra influenza precipitar uma crise asmática ainda não está claramente definido, consistindo em um assunto conflitante.

Um estudo publicado pela revista Archives of Family Medicine, no mês de agosto de 2000, concluiu que a vacinação de crianças, portadoras de asma, contra o vírus da influenza, não resulta na precipitação de crises asmáticas, com o agravamento da doença nestes pacientes, não obstante os possíveis efeitos psicológicos subclínicos na função respiratória.

Diversos estudos, publicados anteriormente, procuraram demonstrar a influência da vacinação contra influenza em crianças asmáticas; entretanto, os resultados obtidos foram inconsistentes.

Alguns relatórios e estudos sustentaram interesses sobre a exacerbação da asma. Diversos estudos demonstraram não haver nenhum efeito prejudicial na função respiratória após a vacinação contra influenza. Entretanto, dois investigadores relataram a ocorrência da piora do quadro clínico do asmático após a vacinação. Além disso, alguns autores descreveram o aumento da responsividade bronquial (um dos fatores precipitantes da crise asmática) após a vacinação contra o vírus da influenza.

Recentemente, um estudo realizado por Nicholson e colaboradores, realizou uma avaliação de mais de duzentos adultos asmáticos, que apresentaram efeito colateral após a vacinação, entretanto, este efeito sobre a respiração tornou-se insignificante após a remoção de pacientes com resfriados comuns da análise.

O estudo

Neste trabalho, os pesquisadores realizaram uma avaliação acerca da vacinação contra influenza em crianças asmáticas, salientando a segurança da vacinação, estudando a incidência de hospitalizações e o índice de procura de serviços médicos de emergência, pronto-atendimento, devido a crises asmáticas após a vacinação.

Foi realizada uma pesquisa em quatro grandes organizações de manutenção de saúde na costa ocidental dos Estados Unidos. Os cientistas investigaram os dados de três épocas de ocorrência da influenza: 1993-1994, 1994-1995 e 1995-1996. Foi definido o período entre os meses de outubro a abril como a época, a estação de maior ocorrência da infecção pelo vírus da influenza.

O estudo restringiu-se às crianças com idade entre um a seis anos, devido à dificuldade em se estabelecer um diagnóstico diferencial entre a asma e outra doença do sistema respiratório, a bronquiolite, que acomete sobretudo crianças com idade inferior a um ano.

A bronquiolite viral aguda está entre as causas de alterações respiratórias nos lactentes que mais se confunde com a asma. Esta doença é de maior incidência no primeiro semestre de vida e é rara após um ano de idade.

Resultados

Os pesquisadores verificaram, após uma avaliação da severidade dos casos de asma, que a vacinação contra o vírus influenza não conduziu a uma exacerbação aguda da asma, com a precipitação de crise asmática aguda, em um período correspondente a dois dias a duas semanas após a vacinação.

Neste estudo foram verificadas algumas limitações. Dentre elas, alguns erros nos dados computadorizados utilizados na realização do mesmo, acerca da vacinação.

Outra limitação relaciona-se ao fato de que foram utilizadas informações sobre internações hospitalares e visitas aos serviços médicos de emergência, como medidas de exacerbação da asma em pacientes pediátricos, levando assim, à limitação da análise aos casos de asma mais severos, em detrimento das exacerbações leves da asma.

Comentários

A conclusão final dos pesquisadores é de que a vacinação contra o vírus causador da influenza, de crianças portadoras da doença respiratória asma, não resulta na exacerbação desta, com a precipitação de crises asmáticas agudas. A preocupação e o interesse dos indivíduos, nos casos em que há uma probabilidade de ocorrência de agravamento da asma, não significa contra-indicação, não consistindo em uma razão justificável para recusar-se à vacinação de crianças contra o vírus da influenza.

Os pesquisadores demonstraram uma diminuição da incidência de crises asmáticas em um período de tempo correspondente a duas semanas após a vacinação contra influenza, de crianças portadoras da doença pulmonar (asma), durante toda a análise dos períodos de ocorrência da influenza, sobretudo durante a estação de 1993-1994. Esta diminuição da incidência do agravamento da asma foi estatisticamente significativa.

Com os resultados obtidos no estudo, permanece a questão já levantada por outros estudos, de que a vacinação possa fornecer a proteção dos pacientes asmáticos a longo prazo.

Fonte: Arch Fam Medicine. 2000; 9: 617-623.

Copyright © 2000 eHealth Latin America           05 de Setembro de 2000


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