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Especialista Analisa Situação Atual do Transplante Cardíaco na Medicina Moderna

Poucas áreas da medicina tiveram uma evolução tão substancial, tanto em recursos diagnósticos como em métodos de abordagem terapêutica, como a que se observou na cardiologia.

A afirmação é do cardiologista , Dr. José Ricardo Vilela acrescentando ainda que doentes com poucas chances de recuperação tiveram sua expectativa e qualidade de vida progressivamente melhorada, melhoria das abordagens diagnósticas e um aperfeiçoamento dos métodos de tratamento dolorosos que de alguma forma, se tornaram muito menos agressivos e mais suportáveis.

Por outro lado, é preciso enfatizar também a questão dos recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados, além de passarem a compor um arsenal terapêutico cada vez mais disponível para as diversas doenças, antes de controle difícil ou até pouco eficaz.

Como conseqüência desta evolução, os pacientes tiveram a sua sobrevida aumentada, o que de acordo com o médico, pode atingir estágios mais avançados dentro de suas doenças, antes impossibilitados pela interrupção de suas vidas, como parte da evolução natural de seus problemas de saúde.

Entretanto, apesar da atual capacidade cada vez maior em substituir válvulas cardíacas e grandes artérias, de corrigir o ritmo com medicamentos ou com marca-passos, desobstruir vasos com as mais variáveis técnicas, e de melhorar a capacidade de contração do músculo cardíaco, nós ainda não conseguimos um substituto eficaz para o componente mais importante do sistema cardiovascular: o músculo cardíaco, que é a bomba que impulsiona o sangue através de todo o sistema.

Assim, apesar de todo o esforço que fazemos para melhorar a sobrevida dos doentes, em algum ponto da evolução de suas enfermidades o músculo cardíaco pode vir a falhar, desencadeando um mecanismo, do tipo “ciclo vicioso”, que tende a piorar progressivamente, comenta.

Evolução dos métodos

Segundo Dr. José Ricardo Vilela, alguns métodos foram desenvolvidos para tentar abordar o doente cardiopata que se encontra em um estágio tão avançado na evolução de sua doença, que os medicamentos e cuidados habituais, normalmente utilizados para a correção de seu problema, não mais funcionam.

Neste caso, o médico cita a ventriculectomia , que consiste na retirada de parte do músculo cardíaco, com a finalidade de diminuir o tamanho da cavidade e a tensão exercida sobre a parede do coração, e conseqüentemente todas as alterações negativas que este aumento acarreta.

É um procedimento que apesar de estar sendo visto com otimismo e muito discutido em todo o mundo, possui ainda limitações e não pode ser indicado em algumas situações que deram origem à doença cardíaca avançada; a cardiomioplastia.

Esta técnica é um procedimento que já conta com mais de doze anos de experiência, e que consiste na aplicação de enxertos de músculos do tórax, que passam a envolver o coração, sendo artificialmente estimulados em sincronia com os batimentos cardíacos, de uma forma tal que sua contração possa mimetizar o movimento realizado pelo músculo cardíaco em torno de suas cavidades, com a conseqüente melhoria na expulsão do sangue destas cavidades.

Para alguns casos específicos, acrescenta o Dr. Vilela, pode-se contar ainda com correção de disfunções das válvulas cardíacas, o implante de marcapassos que estimulam seqüencialmente átrios e ventrículos, entre outras abordagens específicas.

Finalmente, o que apesar de parecer mais óbvio, explica o médico, ainda é o método mais eficaz de corrigir um déficit da bomba cardíaca, sendo portanto a primeira escolha de abordagem, que é a substituição do coração insuficiente por outro, comenta.

Dr. José Ricardo acrescenta ainda que, por não termos conseguido ainda um substituto artificial, o transplante do coração de um doador ainda é a forma mais adequada que dispomos para fazermos esta substituição na bomba.

Aprimoramento e Crescimento Constante

O transplante cardíaco, conta hoje com mais de 30 anos de experiência e, segundo Dr. José Ricardo, já tendo sido realizado em mais de 50 mil pacientes em todo o mundo, atualmente com cerca de 4 mil procedimentos anuais, de acordo com dados da OMS - Organização Mundial de Saúde.

O primeiro transplante de coração foi realizado pelo Dr. Christian Barnard em 1967 e, apesar do grande interesse despertado em toda a comunidade médica internacional, teve um progresso muito lento durante os anos 70, devido aos resultados pouco favoráveis em sua primeira década de existência, mas tomando um ritmo progressivamente maior a partir dos anos 80, com resultados cada vez melhores.

“É claro que hoje, já com a técnica bem desenvolvida, existem critérios bem estabelecidos para a seleção dos pacientes receptores, o que torna o resultado muito satisfatório para os casos bem indicados”, afirma Dr. José Ricardo.

Doação – um problema enfrentado por todos os pacientes O cardiologista faz questão de frisar que um dos problemas encontrado pelo doente cardíaco, cujo músculo se encontra em estágio terminal, é justamente conseguir um doador. “Não é fácil encontrar uma pessoa que seja portadora de uma condição, que evoluiu para” morte encefálica “, e que apesar disto mantém íntegras as funções de seus demais órgãos vitais”.

Quando esta pessoa é encontrada, apesar de todo o advento da legislação específica (criada recentemente que transforma em doador toda pessoa que não se manifestar contrária a isso), existe, segundo o médico, uma série de dificuldades, de ordem burocrática, religiosa, ou social que podem impedir que ela se torne um doador potencial.

O Dr. Vilela destaca que mesmo com esta nova legislação não ocorreu na prática aumento da oferta de órgãos, como já foi vastamente informado pelos meios de comunicação.

Segundo o especialista, “é preciso ainda um processo de conscientização ainda muito maior, que aparentemente até o momento não fomos capazes de conseguir.

Até que isso se torne possível, nossos doentes cardiopatas terminais continuarão sendo terminais, apesar de todo o domínio técnico que a medicina moderna possui para continuar melhorando a qualidade e a quantidade de vida destas pessoas”, ratifica.

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