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Artigos de saúde

Câncer Oral

A boca ou cavidade bucal constitui a porção inicial do sistema digestivo. Nela passam-se as primeiras ações fisiológicas da digestão: mastigação dos alimentos, constituição do bolo alimentar, sob a ação das enzimas (proteínas que possuem ação de degradação ou lise de substâncias) salivares, e a deglutição.

A cavidade oral (boca) é sede de inúmeras doenças locais e sistêmicas, especialmente digestivas. São diagnosticadas pela inspeção, palpação e investigação da história do paciente. As patologias localizam-se em qualquer das estruturas bucais, chamando atenção pelo grau maior ou menor de alteração física ou funcional.

Os tumores malignos (neoplasias ou câncer) são pleomórficos (várias formas) nas suas manifestações clínicas. A presença de linfonodo satélite (gânglio linfático nas adjacências da cavidade oral) é elemento muito importante, como tradutora de metástase (disseminação do câncer para outras partes do organismo). A dor nem sempre constitui o principal sintoma, ocorrendo principalmente em tumores ósseos (que acometem a maxila ou mandíbula). A boca pode ser, também, sede de tumores metastáticos de diversas origens (tumores que iniciaram em outras regiões e disseminaram-se para a boca).

Um estudo publicado em julho do ano 2000 pelo British Medical Journal (BMJ), realizado por Dr. Crispian Scully e Dr. Stephen Porter, do Eastman Dental Institute for Oral Health Care Sciences, da Universidade de Londres, Inglaterra, evidenciou os principais aspectos do câncer oral: prevalência na população, como diagnosticá-lo, quais os possíveis tratamentos e a conduta do profissional diante do paciente.

O Estudo

Neste trabalho, os pesquisadores avaliaram os principais aspectos clínicos, os métodos de diagnóstico e tratamento do câncer oral.

O tipo mais comum de câncer da boca é o carcinoma de células escamosas. Entre os tipos menos comuns de câncer da boca estão: tumores malignos das glândulas salivares, melanoma, linfomas, neoplasias do tecido ósseo e conectivo (conjuntivo), alguns tipos de tumores odontogênicos, carcinoma maxilar antral, neoplasias metastáticas (do peito, pulmão, estômago ou do fígado) e o sarcoma de Kaposi.

O câncer da boca é mais prevalente em países que estão em desenvolvimento, principalmente no Sudeste Asiático e no Brasil. Nos países desenvolvidos, o câncer da boca é incomum, exceto em algumas regiões da França. Os indivíduos mais acometidos pelo carcinoma da boca são do sexo masculino, principalmente, de meia idade, embora esteja aumentando a incidência desta patologia entre indivíduos mais jovens, tabagistas e grupos populacionais de baixo poder sócio-econômico.

Os fatores etiológicos (causas), que agem em um indivíduo geneticamente susceptível, incluem o tabagismo (aproximadamente 75% dos indivíduos com câncer de boca são fumantes), o uso de fumo não industrializado (chamado de “fumo de rolo”), o consumo de álcool (etilismo), a ingestão de alimentos pobres em vitaminas, sais minerais, como uma dieta pobre em frutas frescas e vegetais, infecções causadas por microrganismos como vírus e fungos (Cândida sp- candidíase), imunodeficiência (baixa resistência do organismo) e a exposição à luz solar (esta, no caso de carcinoma dos lábios).

Outros tipos de neoplasias do trato respiratório e digestivo podem ser causadas pela neoplasia da boca. Este fato pode ocorrer em até 25% das pessoas que tiveram o câncer da boca por mais de três anos sem se tratar; e até em 40% das pessoas que continuam a fumar. De maneira similar, indivíduos com carcinoma de pulmão possuem risco de desenvolverem câncer da boca.

Alguns cânceres podem ser precedidos por lesões denominadas pré-malignas ou condições pré-malignas, como: eritroplasias, leucoplasias displásicas (aproximadamente metade dos carcinomas da cavidade oral são associados à leucoplasias - lesões esbranquiçadas na mucosa oral), líquen plano (um tipo de doença dermatológica), fibrose submucosa e imunossupressão crônica (condição de diminuição da defesa do organismo, causada por algumas doenças, como por exemplo, a AIDS). Há ainda, outras causas menos comuns de neoplasia da boca, como a sífilis terciária, Lupus eritematoso discóide (doença autoimune) e a Síndrome de Plummer-Vinson (caracterizada pela deficiência de ferro e disfagia - dificuldade de engolir alimentos ou líquidos).

Diagnóstico, tratamento e prognóstico do câncer da boca

A detecção do câncer da boca acontece tardiamente em muitos pacientes. Na ocasião do diagnóstico, a maioria dos indivíduos já apresentam a doença em um estágio avançado, com metástases (disseminação da neoplasia para outras regiões). Se a doença for diagnosticada antecipadamente, o seu tratamento se torna mais fácil de ser realizado e com menor incidência de complicações, assim como os resultados estéticos e funcionais (preservação de funções da boca e outros órgãos afetados) são melhores e o índice de sobrevivência do paciente é maior.

As neoplasias podem apresentar-se em qualquer lugar na cavidade bucal, sendo mais freqüentemente encontradas na margem póstero-lateral da língua e do assoalho da boca - área denominada área do caixão (“coffin” ou “graveyard”). Assim, portanto, faz-se mister uma inspeção cuidadosa da cavidade oral, além de examiná-la superficialmente, palpando-se (examinando com as mãos) cuidadosamente toda a cavidade e áreas adjacentes. Através da palpação, podem ser detectados nódulos (linfonodos) na região do pescoço.

Aproximadamente 30% dos pacientes apresentam linfonodos palpáveis, de tamanho aumentado, que contém metástases (disseminação do tumor). Cerca de 25% dos pacientes que não apresentam linfonodos metastáticos desenvolverão futuramente, metástases nestes nódulos em um período de dois anos.

Segundo os pesquisadores, há vários métodos de diagnóstico do tumor maligno da boca, sendo que exames laboratoriais do tecido contido nos nódulos, em vários destes, apresentam o tumor, mesmo que os nódulos apresentem-se normais.

Qualquer lesão da cavidade oral que dure um tempo maior que três semanas deve ser tratada como suspeita de ser um tumor maligno.

É essencial confirmar o diagnóstico e determinar se há e quais são os linfonodos acometidos, além disso, verificar se há outros tumores ou metástases anteriores ao tumor da cavidade oral.

Conseqüentemente, quase que invariavelmente, são indicados exames mais invasivos, como a biópsia da lesão (geralmente, uma biópsia incisional, em que é retirado um fragmento da lesão; sendo que, atualmente, a biópsia oral realizada com uma escovinha está disponível). Outros exames são necessários ao diagnóstico do tumor maligno da boca, como: a radiografia da maxila (maxilar e mandíbula) e do tórax; endoscopia digestiva alta, exames de sangue; e testes de função hepática (para avaliar a função do fígado).

A extensão do carcinoma pode ser detectada através de exames como a tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética, que determinam, além da extensão, o grau de invasão tumoral (disseminação do tumor). O ultra-som também é um exame para o diagnóstico do tumor, quando guiado por citologia (exame do tecido que compõe o tumor).

Ultimamente, estão sendo introduzidas técnicas de exames moleculares para a determinação do prognóstico das lesões tumorais e para a identificação de metástases nodais (em nódulos ou linfonodos).

O tratamento do câncer da boca pode ser feito através de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, segundo concluíram os pesquisadores. A cirurgia, atualmente, é largamente utilizada no tratamento desta doença. A quimioterapia e a radioterapia possuem uma aplicação ainda restrita, sendo utilizadas em alguns casos, ocasionalmente.

O tratamento dentário, seja com finalidade preventiva ou curativa, é essencial antes da realização da radioterapia, para minimizar os efeitos adversos desta intervenção e a doença da boca.

O prognóstico do câncer da boca depende diretamente da sua localização. Para o tumor da cavidade oral, a taxa de sobrevivência após cinco anos é de aproximadamente 30%; para o tumor dos lábios, esta taxa eleva-se para mais de 70%.

Os estudiosos ressaltaram importantes fatores a serem considerados na abordagem desta patologia: a qualidade de vida do paciente e a sua educação (conscientização quanto à doença e ao tratamento). É importante que os pacientes saibam dos malefícios do tabagismo e do alcoolismo no desenvolvimento do tumor maligno da boca, para que abandonem estes hábitos e possam sobreviver de uma maneira mais digna, sem grandes seqüelas.

Fonte: British Medical Journal (BMJ) 2000; 321:97-100

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