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Quem Mais se Beneficia do Uso da Aspirina?

O uso da aspirina na prevenção de doenças das coronárias é amplamente difundido em várias comunidades médicas, e vem sendo usada como prevenção primária de infarto, sobretudo em pacientes com múltiplos fatores de risco. É muito importante selecionar corretamente as pessoas que podem se beneficiar com o uso dessa droga, pois, muitas vezes, a sua prescrição para pessoas que nunca tiveram um episódio de infarto do miocárdio ou de AVC - acidente vascular cerebral, ou derrame cerebral - (prevenção primária) pode trazer mais danos do que benefícios.

Sabe-se que a prevenção primária com o uso da aspirina e do Warfarin (fármaco com ação anticoagulante) é capaz de reduzir as probabilidades de infarto e AVC. O Warfarin está relacionado com diminuição de casos fatais de infarto e quase não há influência sobre os casos não-fatais. Já a aspirina está relacionada a uma diminuição dos casos não-fatais e não há relação significante com os casos fatais.

Um estudo conhecido, chamado de US physicians health study, demonstrou que o uso da aspirina é mais eficaz em pessoas com 50 anos ou mais, e naquelas pessoas com menores taxas de colesterol no sangue. Estes achados determinaram o uso da aspirina na prevenção primária de doenças das coronárias e também do acidente vascular cerebral.

Um grupo de pesquisadores ingleses (do Wolfson Institute of Preventive Medicine, Londres), liderados pelo Dr. T W Meade, conduziu uma pesquisa para a avaliação do uso da aspirina e a determinação de qual grupo de pacientes poderia ser mais beneficiado com o uso desta droga na prevenção primária. Ao final do estudo os pesquisadores compararam os resultados obtidos com os resultados do estudo realizado pelo US physicians health study. Os resultados desta pesquisa foram publicados na revista BMJ (British Medical Journal) de 1º de julho de 2000.

O Estudo

Foram selecionados 10.557 homens com idade de 45 a 69 anos, vindos de várias partes do Reino Unido. Destes, somente 5.499 acabaram por integrar a estatística do trabalho. Todos os participantes foram questionados a respeito do hábito de fumar e da presença de história familiar de infarto do miocárdio. Foram medidos o índice de massa corporal (que avalia obesidade), a pressão arterial e a concentração de colesterol no sangue (todos esses dados representam fatores de risco para infarto e AVC).

A média de idade era de 57,5 anos, e aproximadamente, 40% dos participantes eram fumantes; a média do índice de massa corporal foi de 27,4 (o que significa sobrepeso e acima de 30 significa obesidade); cerca de 15% dos pacientes tinham relato de infarto na família. A média da pressão arterial encontrada foi de 139 mmHg. Antes do início do estudo, apenas 245 pacientes faziam uso de anti-hipertensivos e com o decorrer deste, 1421 iniciaram o uso.

Os pacientes foram divididos em quatro grupos: um em uso de Warfarim e aspirina; outro em uso de aspirina e placebo; outro em uso de warfarin e placebo, e por fim, outro em uso de dois placebos. Os pesquisadores analisaram os resultados em relação aos fatores de risco: idade, colesterol e pressão arterial, e analisaram qual desses grupos poderia se beneficiar com a prevenção primária, e por fim compararam com os resultados com os resultados do US.

Resultados

Como esperado, com ou sem o uso da aspirina, os pacientes com fatores de risco tiveram mais casos de infarto do miocárdio. Em pacientes com pressão arterial maior que 145mmHg, não foi observada proteção pelo uso da aspirina. Por outro lado, pacientes com pressão arterial menor que 130 mmHg tiveram o risco de infarto diminuído em 45%. No total de pacientes, houve uma redução de 20% do risco de infarto.

O estudo não mostrou relação significativa em relação à idade e em relação aos níveis de colesterol no sangue, contrariando os resultados do estudo do US. Houve 10 casos de hemorragia intracerebral, mas em todos os casos os pacientes estavam em uso do warfarim e da aspirina (essas drogas facilitam o sangramento), e todos eles também tinham pressão alta (o que também facilita sangramento). Por isso o sangramento não pôde ser relacionado somente à aspirina.

Quando foram analisados os resultados da prevenção em relação ao infarto do miocárdio e ao AVC em conjunto, os autores notaram também uma diminuição destes casos, mas também estavam relacionados com níveis normais de pressão arterial.

Conclusão

Ao final do estudo os pesquisadores notaram que resultados encontrados não confirmaram os resultados do US physicians health study, e por outro lado, descobriram que o uso de baixas doses de aspirina (75 mg diariamente) tem um efeito bastante significativo em pacientes com níveis normais de pressão, não só em relação ao infarto do miocárdio, mas também em relação ao AVC.

As evidências sugerem ainda que a aspirina não só não traz proteção para os pacientes com pressão alta, mas também aumenta o risco de sangramentos graves. Assim, acredita-se que os níveis da pressão arterial devem ser controlados rigorosamente em pacientes que estão em uso de aspirina, para evitar-se o risco de sangramentos.

Fonte: BMJ 2000; 321:13-17 (1o de Julho de 2000).

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