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Artigos de saúde

A Eficácia do Uso de Cinto de Segurança Automático em Acidentes Automobilísticos

Diversas pesquisas têm sido desenvolvidas com o objetivo de melhorar a segurança dos veículos automotivos. Cada vez mais, torna-se evidente a preocupação com a segurança dos motoristas e passageiros. Assim, vários estudos e testes são realizados para conferir proteção aos usuários de automóveis. Dentre os dispositivos de proteção de um carro, estão incluídos o cinto de segurança de três pontas automático, combinado a um tipo proteção para joelhos, que consiste em um material para absorver parte do atrito em colisões automobilísticas (atualmente, o denominado airbag). Há uma evidência da negligência por parte da grande maioria dos motoristas e passageiros, que não utilizam o cinto de segurança manual, em cerca de 50% a 71% das vezes em que fazem uso do carro. Alguns trabalhos, anteriormente realizados, acerca da eficácia do uso do cinto de segurança automático, produziram certa divergência entre este sistema de segurança automático e o sistema manual. Vários pesquisadores evidenciaram lesões graves e até morte causadas pelo uso incorreto do cinto de segurança de duas pontas.

Nos Estados Unidos existem aproximadamente dez milhões de carros com sistema automático de cinto de segurança trafegando pelas ruas. Entretanto, pesquisas acerca da utilização desse tipo de sistema de contenção de passageiros têm revelado resultados divergentes quanto a sua eficácia. Na década de 80, mais especificamente, desde 1987, mais de vinte e sete milhões de veículos foram produzidos por montadoras contendo cinto de segurança automáticode duas pontas. Desse total de carros produzidos aproximadamente dez milhões ainda estão trafegando pelas ruas.

Aproximadamente cinco mil casos de veículos envolvidos em acidentes são escolhidos anualmente em um sistema de amostragem, para sua avaliação quanto ao uso de cinto de segurança. Esse sistema é baseado na inspeção do veículo, em entrevistas realizadas com tripulantes e testemunhas, no relato da polícia, em dados obtidos pela realização de necrópsias dos corpos de indivíduos envolvidos nos acidentes automobilísticos, e nos registros dos hospitais. Nesse sistema de levantamento de dados de acidentes, são incluídos ocupantes do assento traseiro do veículo que tenham idade superior a quinze anos. A gravidade dos ferimentos causados pela colisão do automóvel foi codificada através de um sistema de graduação da lesão (escala da gravidade das lesões), denominada Abbreviated Injury Scale.

Diversos estudos anteriores verificaram os riscos de lesões fatais por impacto, usando sistema de contenção (cinto de segurança) automático e concluíram que nos casos do uso (mesmo inapropriado) do cinto de segurança, houve uma redução de 29% dos riscos de morte de passageiros.

Um estudo publicado em junho de 2000 pela revista JAMA - Journal of the American Medical Association, avaliou a eficácia do uso do cinto de segurança automático, quando utilizado separadamente, ou associado ao cinto de segurança manual.

O Estudo

Para tentar determinar a eficácia de sistemas automáticos de proteção (mais especificamente, dos cintos de segurança automáticos diagonais) na redução dos riscos de lesões graves e de morte entre os passageiros dos assentos dianteiros dos veículos, pesquisadores americanos conduziram um estudo onde o número de veículos estudados é bastante elevado.

Nesse trabalho, foram avaliados dados obtidos através de consulta ao National Highway Traffic Safety Administration Crashworthiness Data System (um sistema de dados da administração nacional de segurança no trânsito, dos Estados Unidos), acerca dos motoristas e passageiros que se envolveram em acidentes de tráfego, durante o período entre os anos de 1993 e 1996. Os autores verificaram os dados de, aproximadamente, 25.811 acidentes que envolveram colisões diretas entre veículos, afetando motorista e passageiro do assento dianteiro do carro; colisões entre veículos de transporte de passageiros; caminhões pequenos; caminhonetes e carros esportivos.

Os aspectos avaliados incluíram ferimentos graves em determinadas regiões do corpo e morte, causados pelo uso dos vários tipos de cintos de segurança: cinto de três pontas, manual; cinto automático diagonal, com cinto manual horizontal (cinto de segurança de três pontas); e cinto automático de três pontas; comparados aos casos em que não houve a utilização desse tipo de proteção.

Resultados

Foi verificada uma redução de 34% em todos os tipos de acidentes e uma redução de 29% em acidentes causados por colisão frontal entre veículos pelo uso do cinto de segurança.

A utilização de cintos de segurança automáticos, sem o cinto de segurança manual, aparentemente, se mostrou melhor do que a não utilização de nenhum sistema de contenção de passageiros de um veículo. Entretanto, o uso deste tipo de cinto de segurança, conferiu menor proteção, quando comparado ao uso do cinto de segurança de três pontas. O cinto de segurança automático (que passa pelo ombro, atravessando o corpo, em posição diagonal), sem uma contenção na região do quadril do indivíduo (cinto de segurança horizontal), foi associado a um aumento significativo dos riscos de sérios ferimentos torácicos e abdominais.

O uso de cintos de segurança automáticos de duas pontas foi associado à diminuição do risco de morte nos acidentes, se comparado ao não uso desses sistemas de proteção de passageiros. Essa diminuição não se mostrou estatisticamente significativa, nos casos de acidentes automobilísticos analisados pelos pesquisadores, após a verificação de dados como: a idade dos passageiros, o sexo, o ano de fabricação do veículo, a presença de airbag, a velocidade do impacto e a principal direção da força da colisão.

Nos resultados obtidos, os usuários de cintos de segurança (diagonais) automáticos, apresentaram um risco semelhante ao risco dos passageiros que não faziam uso de um sistema de contenção, de sofrerem lesões cranianas em todos os tipos de colisões. Além disso, a utilização desse tipo de proteção aumentou significativamente o risco de lesões torácicas, principalmente, nas colisões frontais. Em relação às lesões abdominais, foram encontrados resultados similares aos descritos. O risco deste tipo de lesão foi aumentado com o uso desse tipo de proteção. Não foi evidenciada diferença significativa entre os tipos de cinto de segurança e o risco de lesões da medula espinhal ou das extremidades (membros inferiores).

A conclusão final dos pesquisadores é de que existe uma limitação do número de acidentes com veículos que possuem sistemas, de contenção de passageiros, automáticos (cintos de segurança automáticos). Portanto, o verdadeiro efeito atenuante do uso de cinto de segurança nos acidentes automobilísticos, sobre os riscos de morte, pode ser encontrado em qualquer ponto, com desde uma redução de 58% até a um aumento de 6%.

Os pesquisadores advertem que, apesar do uso ainda bastante difundido, do cinto de segurança automático, devem ser elaborados programas educativos, para a conscientização das pessoas a respeito da importância do uso de cintos de segurança de três pontas, na prevenção de ferimentos muitas vezes letais, provenientes de acidentes automobilísticos. Os dados obtidos evidenciaram que o uso inadvertido de sistemas de proteção automáticos (cintos de segurança diagonais) pode ser menos eficaz do que o uso de cintos de segurança de três pontas; esses cintos de segurança automáticos associam-se a um aumento do risco de lesões torácicas e abdominais sérias. Devido ao uso difundido destes sistemas automáticos, programas educacionais deveriam ser realizados entre a população.

Fonte: JAMA 2000;283:2826-2828

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