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Artigos de saúde

Incontinência Urinária Pode Ser Algumas Vezes Temporária

Um dos sintomas que as mulheres apresentam mais freqüentemente é a incontinência urinária, devido às peculiaridades anatômicas do trato urinário feminino inferior, que é formado pela bexiga, pela uretra e pelos músculos do períneo.

Vários são os sintomas relacionados com as alterações do trato urinário inferior; para facilitar o entendimento dessas alterações, a Sociedade Internacional de Continência (ICS), que foi uma organização criada nos Estados Unidos para definir e padronizar os procedimentos no diagnóstico e no tratamento da incontinência urinária, estabeleceu algumas terminologias que são: a incontinência urinária propriamente dita (perda de urina involuntária), a incontinência voluntária de esforço (perda involuntária da urina com espirros, tosse, vômitos e exercícios físicos), a freqüência urinária (é o número de micções por dia), a noctúria (é o número de vezes em que a paciente é acordada à noite para urinar), a enurese (perda involuntária de todo o conteúdo da bexiga), incontinência por urgência (perda involuntária da urina relacionada com um desejo intenso de urinar), dentre outros.

Vários fatores estão relacionados com a precipitação de problemas relacionados com esses sintomas que são o peso corporal, os exercícios físicos, o fumo, a cafeína, a constipação intestinal, a postura, o número de partos, cirurgias ginecológicas prévias e doenças do sistema nervoso.

A incontinência urinária e outros sintomas relacionados com o trato urinário inferior são fatos muito comuns entre as mulheres de todas as faixas etárias, principalmente entre a idade de 40 a 60 anos. O número de pacientes com esses problemas está aumentando consideravelmente, mas apesar deste aumento, muitas mulheres apresentam melhora espontânea, e podem chegar a apresentar até uma cura completa do quadro.

A determinação do contingente de mulheres que apresentam mudanças em seus sintomas e até mesmo o desaparecimento dos mesmos, pode ajudar a definir melhor a necessidade de tratamento e de medidas preventivas.

O estudo

Até agora nenhum estudo tinha sido realizado para tentar estabelecer o número de mulheres que apresentam incontinência ou outros sintomas urinários temporariamente.

Porém uma equipe de pesquisadores dinamarqueses (do Glostrup County Hospital, Department of Obstetrics and Gynaecology, University of Copenhagem), liderados pelo Dr. Lars Alling MÆller, conduziram um estudo para tentar determinar o curso natural da incontinência urinária e dos sintomas relacionados ao trato urinário inferior, a fim de estabelecer a ocorrência desses problemas e a sua taxa de cura, durante um ano de acompanhamento.

Os resultados desse estudo foram publicados na revista British Medical Journal, de 27 de maio de 2000.

Os pesquisadores enviaram um questionário para quatro mil mulheres, escolhidas aleatoriamente, de 40 a 60 anos de idade, durante cinco dias (15 a 20 de junho do ano de 1996).

Os dados solicitados eram idade, presença de incontinência urinária, alteração da freqüência miccional, aumento do número de vezes em que a paciente era acordada à noite para ir ao banheiro, dor ao urinar, urgência urinária, esvaziamento incompleto da bexiga. Eram questionadas também a respeito da perda involuntária de urina durante a tosse ou espirro, a movimentação, exercícios físicos, ato sexual e durante o sono.

Após um ano as mulheres que responderam ao questionário receberam um segundo, que era similar ao primeiro. Neste os autores questionaram a respeito da permanência ou não dos sintomas, do aparecimento de novos sintomas urinários, de tratamentos recebidos, como cuidados médicos, uso de drogas e fisioterapia para fortalecimento dos músculos responsáveis pela micção.

Resultados e conclusões

Passado um ano, 1/4 das pacientes que apresentavam sinais de incontinência urinária permaneceram com os sintomas relacionados, o número de novos casos foi de cerca de 1/10 e o número de pacientes que apresentaram desaparecimento dos sintomas foi em torno de 1/4.

Apenas uma mulher com incontinência urinária diária, relatada no primeiro questionário, informou o desaparecimento dos sintomas; outras 26 com incontinência urinária diária relataram a presença de sintomas esporadicamente durante o ano.

Onze mulheres que no primeiro questionário relataram sintomas de incontinência semanalmente, após um ano relataram desaparecimento dos sintomas, e outras 116 pacientes relataram melhora, com intervalo de tempo entre os sintomas maior que uma semana. A maioria, mas não todas as pacientes com alterações no controle da urina, melhoraram durante o período do estudo, em conseqüência de tratamentos instituídos.

Todos os fatores envolvidos com a remissão foram estudados: idade, número de partos, massa corporal, mudança da massa corporal, limitações da capacidade funcional em atividades diárias, presença de derrame, doença de Parkinson, infarto do miocárdio, constipação intestinal, reposição hormonal com estrogênio e uso de outras drogas.

Mas os únicos fatores que se mostraram significativos nesse trabalho e que estão associados com a remissão foram a idade e as atividades da vida diária, respectivamente. Pelo fato de que as mulheres na menopausa sofrem uma mudança nos níveis de hormônio, isso parece ser uma causa da flutuação dos sintomas da incontinência urinária, mas esta hipótese precisa de mais estudos para ser firmada.

Os autores acreditam que este estudo pode estar representando a realidade, apesar de saberem que muitos aspectos da incontinência urinária e dos sintomas do trato urinário inferior não puderam ser abordados, pelo tipo de análise feita neste trabalho. Mas acreditam que as afirmações feitas são um passo para introdução de novas pesquisas.

Ao fim do estudo, os autores concluíram que os sintomas do trato urinário inferior são condições dinâmicas, com mulheres podendo sofrer mais ou menos sintomas, às vezes ocorrendo a cessação dos mesmos. Contudo, a distinção entre os casos permanentes e os flutuantes pode ser de fundamental importância para o acompanhamento e tratamento dessas pacientes.

Fonte: BMJ 2000;320:1429-1432 ( 27 May )

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