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Artigos de saúde

Reações Agudas de Pesar e Luto

Pesar, luto e desolação são denominações utilizadas de maneira sinônima para descrever uma síndrome precipitada por uma perda significativa, como a perda de uma pessoa amada, uma parte do corpo ou um emprego valorizado. Uma reação de pesar descomplicada representa uma resposta normal à perda e geralmente tem uma evolução benigna.

Seu curso é afetado pela perda súbita; pela extensão, se houver, da preparação para a perda, pela importância da pessoa ou objeto perdido para o sobrevivente e o tipo de morte (isto é, natural vs. não natural).

Investigações extensas com pessoas que sofreram perdas demonstraram que a maioria se recupera bem e raramente procura auxílio psiquiátrico. Contudo, quando o processo normal de luto não ocorre, a pessoa que sofreu a perda tem risco elevado de desenvolver problemas psiquiátricos e psíquicos secundários.

O reconhecimento e o manejo de reações agudas de pesar são capacidades importantes no setor de emergência. O médico será confrontado com três grupos gerais de pacientes que podem demandar auxílio para o luto:

1. A família e os amigos de pacientes que estejam morrendo no setor de emergência. As conseqüências psicológicas da morte súbita ou traumatismo severo para pacientes e famílias são um aspecto freqüentemente negligenciado nos cuidados proporcionados em um setor de emergência atarefado.

O médico pode desempenhar um papel importante ao facilitar uma reação de luto normal quando há uma morte inesperada devido a acidente, traumatismo, parada cardíaca, natimorto, morte neonatal súbita, homicídio, suicídio ou outras causas. O médico deve ser capaz de ajudar na evolução do processo de luto e identificar aqueles que podem necessitar de consultas adicionais.

2. Pacientes que comparecem ao setor de emergência com queixas somáticas ou psicológicas que podem ser devidas a uma perda recente. Não é raro as pessoas que sofreram uma perda desenvolverem sintomas somáticos e psicológicos diversos. Como esses sintomas respondem a tratamento dirigido à facilitação do processo de luto, o médico deve estar consciente da possibilidade do luto ser a causa de diversos sintomas.

3. Sobreviventes de um desastre. Os cuidados psicológicos de sobreviventes de desastres, como incêndios, queda de aviões ou desastres naturais são um componente essencial dos cuidados gerais.

A reação de uma pessoa à perda variará de acordo com a personalidade, o estilo, a cultura e a maneira como as perdas foram sentidas no passado. Uma síndrome depressiva, que consiste em sentimentos de tristeza, insônia, pouco apetite e perda de interesses, freqüentemente é observada.

A culpa, quando presente, geralmente se dá em relação a coisas que poderiam ser feitas em favor do morto. Os pensamentos de morte são comuns, mas geralmente limitam-se a como poderia ser melhor ter morrido com o que faleceu do que continuar vivendo.

Comprometimento funcional prolongado, acentuado retardo psicomotor ou preocupação mórbida com sentimentos de menos-valia geralmente não são observados e sugerem que a reação de luto é complicada por uma depressão importante. O luto normal geralmente é um processo fásico com transições algo indistintas de uma fase para a seguinte.

As fases comuns são:

A. Primeiras horas até dias. Esta fase inicial consiste em choque e descrença. Freqüentemente aquele que sofreu a perda a nega mentalmente para proteger-se da realidade dolorosa. As pessoas nessa fase constantemente se referirão a si mesmas como atordoadas.

B. Primeiras semanas até seis meses. Após a fase de atordoamento, a pessoa entra em uma fase onde a realidade da perda passa para a plena consciência. A pessoa sente falta do falecido e freqüentemente se preocupa com a perda. Ademais, em geral expressa raiva e ressentimento a respeito da perda.

Essa segunda fase é marcada por tristeza, culpa, vergonha e sentimentos de impotência, desesperança e vazio. Choro, distúrbios do sono, pouco apetite, perda de interesse em atividades habituais, comprometimento do desempenho profissional e queixas somáticas estão comumente presentes. A pessoa freqüentemente encontra dificuldades na interação social com os outros, mas acha a solidão intolerável. Sentimentos de que a vida não vale a pena são comuns também durante essa segunda fase.

C. Seis meses a um ano. Essa fase final do luto representa uma reorganização, onde são restaurados o funcionamento e as atitudes normais. Durante essa fase a pessoa aceita plenamente a realidade da perda e seu impacto sobre sua vida. Embora os sintomas da segunda fase do luto já devam ter cessado nos seis primeiros meses, esses sintomas podem prolongar-se caso a relação com o falecido tenha sido extremamente importante.

Práticas culturais também podem afetar a evolução no tempo das fases do luto. Na verdade, a recorrência de aspectos das duas primeiras fases não é rara durante a fase final, principalmente quando a pessoa é surpreendida por lembranças da perda. Sentimentos normais durante essa fase final incluem ressentimento em relação ao falecido e ansiedade em relação a ter sido deixado para trás.

Fonte: Manual de Emergências Psiquiátricas - 3a. Ed. - 1994.

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