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Genéricos: Procure Seu Médico Antes de Usar

Cuidado! Você pode estar correndo sério risco de agravar a sua doença devido à troca indiscriminada de um medicamento por outro similar, burlando a prescrição de seu médico e comprometendo todo o seu tratamento. O alerta é feito pelo cardiologista Neander de Souza Ferreira, da Sociedade Mineira de Cardiologia. Segundo ele, alguns laboratórios oportunistas têm se aproveitado do destaque dado pela mídia para a questão dos medicamentos genéricos, e lançam no mercado substâncias similares, mas que não podem ser chamadas de genéricos por não possuírem as exigências da lei: testes de bio-equivalência e diversas análises laboratoriais.

“Estes laboratórios anunciam com grande destaque o nome do princípio ativo do remédio. O nome comercial deles aparece bem pequeno. Quando chega ao mercado, este produto é divulgado de forma a explorar a terminologia genérica. Na forma que a lei exige, o que existe no mercado é similar”, explica o médico. Os testes de bio-equivalência verificam se o princípio ativo do remédio tem o grau de eficácia necessário.

Este assunto ganhou destaque, segundo o cardiologista, basicamente, por dois aspectos: a guerra dos laboratórios por uma fatia cada vez maior deste lucrativo mercado, e a exploração por parte da mídia de um tema de relevância social. “Nos consultórios, os pacientes nos têm pressionado, pois eles acreditam que podem obter o mesmo tratamento com um preço mais vantajoso através do remédio genérico. Isto seria verdade se os produtos existentes no mercado cumprissem as determinações do Ministério da Saúde, o que não ocorre. Sendo assim, é muito perigosa a troca indiscriminada do medicamento receitado pelo médico feita sem a autorização do mesmo”, informa.

Na opinião do especialista, alguns laboratórios sérios começam a lançar medicamentos que podem utilizar a terminologia genérica. “Mas ainda são muito poucos”. A indústria farmacêutica movimentou em todo o mundo US$ 300 bilhões em 1999 e o Brasil ocupa a sétima colocação com US$ 10 bilhões.

Cotidiano difícil

O cardiologista explica a difícil situação pela qual passam os médicos. “Nós só não receitamos o genérico porque ele não existe no mercado. No entanto, com a exploração da mídia a população enxerga má vontade por parte do médico quando este não receita o genérico”. Além disso, a fiscalização por parte da Vigilância Sanitária é deficitária uma vez que não existem fiscais suficientes e a estrutura deste órgão não é capaz de atender à demanda. Outro problema, segundo o médico, são os laboratórios que não têm trabalhado de forma ética.

“Primeiro eles não visitam o médico que seria o responsável pela prescrição do medicamento fabricado por eles. Segundo: estas empresas têm feito um trabalho direto com balconistas de farmácias para que a troca seja feita no estabelecimento. As trocas que nós estamos verificando em nosso receituário só podem ser justificadas por este argumento”.

Cardiologia

Neste sentido, a cardiologia é uma especialidade muito visada por trabalhar com doenças crônicas e de prevalência alta (patologias muito freqüentes como a hipertensão arterial). “Na nossa área, estes aspectos atraem os oportunistas, pois em muitos casos o paciente usará a medicação para o resto de sua vida, além do volume de pessoas ser muito grande. Por estes fatos, a cardiologia talvez seja a especialidade mais prejudicada por esta questão”, informa.

Com este quadro, o trabalho destes especialistas têm que se nortear, segundo o médico, de acordo com alguns parâmetros. “Nós temos trabalhado com os medicamentos que possuem eficácia comprovada no tratamento. Paralelamente, alguns laboratórios sérios têm feitos parcerias com grandes redes de farmácias e distribuidoras de medicamentos, responsáveis pela venda direta ao cliente. Desta forma, a receita do médico é preservada”.

O trabalho político também é necessário neste sentido. Segundo o cardiologista, a CPI dos medicamentos tem atuado em dois aspectos no que diz respeito aos genéricos: combatendo os altos preços de alguns laboratórios e garantindo o cumprimento da lei dos genéricos. “A CPI vem controlar os oportunistas e controlar os abusos de preços. Não podemos esconder que alguns laboratórios majoram seus preços. Deve haver um equilíbrio. Desta maneira, ganha o paciente com preço menor e qualidade e o laboratório ganha para suas pesquisas e sobretudo o tratamento é preservado”.

Na área cardiológica, a linha de medicamentos mais enfocada pelos laboratórios como genéricos é a de anti-hipertensivos e destes a classe que já está sendo lançada é a dos “Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina - II (IECA)”. “Esta tem sido a linha mais explorada. Recentemente, alguns laboratórios éticos já fizeram estudos junto ao INCOR e estão qualificados para lançarem nos próximos dias outras substâncias com qualificação genérica com o devido aval do Ministério da Saúde nos próximos meses”.

O especialista destaca que nos Estados Unidos a lei dos genéricos representou um ganho para a população de baixa renda. “Esta é a principal importância desta regulamentação. A nossa lei é completa. No Brasil, pelo aspecto social, ela tem importância fundamental”, informa acrescentando a expectativa dos médicos em relação ao medicamento similar oportunista. “Ou ele preenche os aspectos exigidos na lei para se tornar genérico, ou ele sai do mercado”. finaliza.

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