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Cirurgia Para Tratamento da Otite em Crianças: Em Busca de um Consenso

A cirurgia de ouvido (miringotomia) é a cirurgia mais realizada em crianças na área de Otorrinolaringologia. Esta cirurgia consiste na implantação de finos tubos no tímpano, que são implantados no ouvido com a finalidade de promover a drenagem e a redução de infecções.

A miringotomia tem sido mais freqüente do que a cirurgia pediátrica para a retirada das amígdalas (amigdalectomia).

Os pais que são informados por um cirurgião da necessidade de sua criança ser submetida a uma cirurgia no ouvido (com o implante de um tubo no tímpano), geralmente desejam obter uma opinião diferente de outro médico, o que os leva a um questionamento quanto ao melhor tratamento.

Estudos realizados em diversos paises tentam estabelecer um consenso sobre o assunto. Diversas opiniões de médicos a respeito da necessidade de cirurgia de ouvido em crianças foram recentemente publicadas pelo Canadian Medical Association Journal.

Pesquisadores da Universidade de Toronto realizaram um levantamento de médicos especialistas em ouvido, nariz e garganta (otorrinolaringologistas), em Ontário, para determinar os diversos fatores que consideravam relevantes na determinação do momento em que a criança deveria ser submetida a uma cirurgia de ouvido com a implantação de tubo de timpanostomia.

Foram salientados fatores clínicos e sociais para a indicação da cirurgia. Houve um consenso entre os profissionais acerca de seis indicações da cirurgia: infecção de ouvido com efusão persistente; fracasso após três meses do tratamento com antibióticos; história de efusão persistente durante um período maior que três meses, por episódio de otite média; mais de sete episódios de otite média em seis meses; perda auditiva bilateral de 20 dB ou mais; e persistência de membrana timpânica anormal.

A maioria dos médicos considerou a cirurgia benéfica, apesar da existência de efeitos adversos mínimos.

A realização ou não de cirurgia para a retirada das adenóides (adenoidectomia) concomitantemente a miringotomia apresentou várias divergências entre os médicos consultados, mesmo em crianças que sofrem de infecções prolongadas e recorrentes.

Diferentes opiniões clínicas podem contribuir para alterações quanto à procura de serviços de saúde, particularmente se estas se relacionarem a indicações de cirurgia, ao uso de terapias alternativas ou à percepção de insucesso do tratamento.

Os resultados da pesquisa mostram que os otorrinolaringologistas consultados tiveram opiniões adversas quanto à indicação de implantação do tubo de timpanostomia e realização de adenoidectomia em crianças com otite média.

Segundo o Dr. Warren McIssac, autor do estudo, parte do problema pode estar no fato de que estudos anteriores não enfocaram todos os fatores que os cirurgiões consideram importantes. Então, estes fatores dependem da própria opinião dos médicos, que é diferente em cada caso. Os achados do trabalho sugerem a necessidade da realização, pela classe médica, de uma revisão a respeito da cirurgia em crianças com infecções de ouvido.

Fonte: Canadian Medical Association Journal (CMAJ) 2000; 162(9): 1285-8.

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