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Trombose Venosa Encontra-se Associada a Fatores Genéticos Durante a Gravidez

O tromboembolismo venoso é a principal causa de morbidade e mortalidade durante a gravidez e o puerpério. A gravidez pode ser considerada como um fator "adquirido" para a ocorrência de tromboembolismo venoso e embolia pulmonar.

Ela está associada a um aumento da atividade de coagulação do sangue e diminuição da fibrinólise; ocorre ainda um aumento da resistência ao anticoagulante do próprio organismo (endógeno) chamado de proteína C.

Em cerca de 70% das mulheres nas quais o tromboembolismo ocorre durante a fase da gravidez e do puerpério, existem fatores de risco importantes, que são a obesidade, uma história familiar de tromboembolismo, ou a trombofilia congênita.

Entretanto, o papel das mutações nos genes da protrombina e do fator V, e outras anormalidades da coagulação do sangue, que contribuem para o risco de trombose venosa nestas pacientes não está bem estabelecido.

Em estudo publicado na revista New England Journal of Medicine da última semana, pesquisadores do Heinrich Heine University Medical Center, em Dusseldorf, Alemanha, liderados pela Dra. Andrea Gerhardt avaliaram um grupo de 119 pacientes que apresentaram quadro de tromboembolismo venoso durante a gravidez e o puerpério.

Como referência de grupo de controle, foram também examinadas 233 outras mulheres normais e com idades semelhantes. Foram medidas nas pacientes a atividade de protrombina, a proteína C, a proteína S, e o anticoagulante lúpico.

Foram ainda realizadas análises genéticas para detectar mutações nos genes do fator V (chamado de fator V Leiden), da protrombina, e da metilenetratahidrofolato redutase.

As amostras de sangue foram colhidas pelo menos 3 meses após o parto ou após o término da lactação.

Nos resultados obtidos, verificou-se que entre as mulheres com uma história de tromboembolismo, a prevalência do fator V Leiden foi de 43,7%, se comparado com 7,7% entre as mulheres normais.

Em relação à mutação do gene da protrombina, a incidência no grupo da trombose foi de 16,9%, se comparada com 1,3% no grupo normal. Se combinadas a presença das duas mutações, ela ocorreu em 9,3% das pacientes do grupo com trombose, contra 0% no grupo normal.

Os autores concluíram que o risco de tromboembolismo nas mulheres que apresentam as duas mutações é desproporcionalmente maior do que entre as mulheres com apenas uma mutação.

Em um editorial na mesma revista, o Dr. Ian A. Greer recomenda que todas as mulheres grávidas com uma história passada pessoal ou familiar de tromboembolismo venoso deveria ser avaliadas em busca destas alterações genéticas, e, caso encontradas alterações, deveria ser estabelecida tromboprofilaxia com anticoagulante.

Fonte: N Engl J Med 2000;342:374-80.

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