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Parada Cardíaca Induzida por Água Gelada é Potencialmente Recuperável

A mortalidade causada por hipotermia acidental com parada circulatória permanece alta, apesar de melhoria nas técnicas de ressuscitação pré-hospitalares, técnicas hospitalares de reaquecimento, e novos tipos de assistência cárdio-pulmonar. A temperatura mais baixa relatada com sobrevida de um paciente foi de 14,4oC em uma criança. Não obstante, a parada cardíaca causada por águas geladas tem características bastante diferentes da parada cardíaca convencional, existindo uma possibilidade maior de recuperação, principalmente em crianças.

Já em adultos, a recuperação é bastante mais difícil.

Médicos noruegueses do Hospital Universitário de Tromsø, em RiTø, relatam o caso de uma esquiadora de 29 anos, que após um acidente ao descer uma pista de esqui, no dia 20 de maio de 1999, ficou presa entre rochas e gelo, sendo o local posteriormente inundado por água gelada. As pessoas que a acompanhavam não conseguiram removê-la, por se tratar de um local de difícil acesso na montanha; após 40 minutos a esquiadora parou de se mover. Uma hora e 20 minutos após o acidente, o grupo de resgate conseguiu removê-la da água, estando neste momento a paciente clinicamente morta. O grupo de resgate iniciou imediatamente manobras de ressuscitação artificial cárdio-pulmonar.

A paciente foi transportada para um hospital regional da Noruega por helicópetro, sendo ventilada artificialmente por um anestesista e realizada massagem cardíaca em todo o percurso até o Hospital Universitário de Tromsø, onde a paciente chegou ainda em parada cardíaca quase 3 horas após o acidente.

Os médicos a transportaram para a sala de cirurgia, e utilizando uma máquina de coração-pulmão artificial, usada normalmente em cirurgias cardíacas, realizaram o lento reaquecimento da paciente. Após 25 minutos na máquina, e quando a temperatura medida no esôfago atingiu 31,5oC, o coração voltou a bater. Após 3 horas ligada ao sistema, um sistema extracorpóreo de oxigenador de membrana foi iniciado, sendo mantido por 5 dias.

A paciente teve complicações pós-operatórias de todos os tipos, incluindo insuficiência renal, insuficiência respiratória, sangramento gastrointestinal, polineuropatia, e permaneceu no ventilador por 35 dias. Ao ser suspensa a sedação, que a mantinha inconsciente, a paciente estava alerta e com respostas satisfatórias.

5 meses após o acidente, a paciente estava retornando ao trabalho, com uma função mental excelente e discretas alterações motoras nos membros, e voltou a esquiar.

Baseados no resultado deste caso, os autores acreditam que pacientes vítimas de paradas cardíacas por contato com águas geladas devam ser considerados como potencialmente recuperáveis, e que todos os esforços devem ser feitos no sentido de sua reanimação, independente da idade.

Fonte: Lancet, Volume 355, Number 9201 (29 January 2000)

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