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Qual o Futuro da Cardiologia no Novo Século?

As doenças cardiovasculares continuarão a ser uma causa muito importante de mortalidade, morbidade, e de elevação dos custos dos tratamentos médicos no próximo século; as principais razões para este fato são duas - mais pacientes sobrevivem a um ataque cardíaco, graças aos modernos tratamentos, tornando-se pacientes crônicos, portadores de insuficiência cardíaca congestiva; e o envelhecimento geral da população irá resultar em um maior número de pessoas portadoras de doenças degenerativas, como fibrilação atrial, distúrbios da condução cardíaca, e doenças das valvas cardíacas próprias dos idosos.

Estas são as previsões do Dr. Hein J J Wellens, do Academic Hospital Maastricht, e diretor do Interuniversity Cardiology Institute of the Netherlands (ICIN), Utrecht, Holanda.

Em trabalho publicado no suplemento da revista The Lancet de 18 de Dezembro, acerca do passado e do futuro da Medicina no próximo século, o Dr. Wellens arrisca-se em previsões sobre o futuro da Cardiologia.

Em relação à questão de custos, o autor acredita que este perfil de pacientes, portadores de cardiopatias crônicas, fará com que ocorra um aumento nos gastos com tratamentos médicos.

Nos países em desenvolvimento, a "ocidentalização" da população (tabagismo, hábitos de dieta pouco saudáveis, migração das áreas rurais para as áreas urbanas) irá fazer com que haja maior incidência de cardiopatia isquêmica (angina, infarto).

Por outro lado, a persistência de doenças que ainda existem nestes países, como a febre reumática e doenças cardíacas de origem infecciosa (ex: doença de Chagas, no Brasil) irão se somar ao número aumentado de pacientes idosos com cardiopatia isquêmica, aumentando a quantidade total dos pacientes.

Muito do que ainda se faz em cardiologia são tratamentos paliativos - o Dr. Wellens acredita que estes tratamentos serão cada vez mais curativos, e que muita ênfase será dada na prevenção das doenças.

Em relação à genética humana, ainda irá demorar um pouco para que a terapêutica genética venha a ser considerada como uma realidade, diz o autor; ele acredita que este tipo de tratamento não se tornará realidade antes de duas décadas.

Quanto às cirurgias de coração, estas tenderão a diminuir, sendo substituídas por intervenções por cateterismo; os transplantes cardíacos de porcos para seres humanos poderão se tornar uma opção real quando a rejeição e as infecções forem controladas.

E a menos otimista destas previsões - os novos tratamentos, juntamente com novos métodos diagnósticos e uma população mais idosa contribuirão por elevar de modo acentuado e dramático os custos dos tratamentos cardiológicos.

Fonte: The Lancet, Volume 354, Supplement 4 (18 December 1999)

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