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Artigos de saúde

O Que Causa o Câncer?

O desenvolvimento do câncer através de agentes etiológicos naturais é um processo longo, perdura muitas vezes por décadas (10, 40 ou mais anos). Sua natureza multifatorial bem como a modulação dos diferentes passos na direção da efetivação da doença propriamente dita são o maior desafio da pesquisa em oncologia.

Embora os mecanismos etiológicos do câncer ainda não estejam completamente elucidados, o estudo de suas características epidemiológicas, tem permitido identificar inúmeros "fatores de risco" envolvidos na sua produção. Essas pesquisas mostram suficientes evidências de que os chamados fatores ambientais ocupam lugar preponderante entre os fatores de risco. Os estudos revelam:

Diferenças significativas na incidência total de câncer e de tipos específicos da doença em diferentes comunidades, em várias partes do mundo.

Mudanças nos padrões de incidência de câncer em grupos de migrantes em relação àqueles que permanecem em seu local de origem (por exemplo: entre os japoneses que migram para os Estados Unidos, as taxas de câncer de colo e mama, que são baixas no Japão, aumentam; e as taxas de câncer de estômago, altas em seu país, diminuem).

Variações na incidência de certos tipos de câncer com o passar do tempo em uma mesma comunidade (por exemplo: aumento das taxas de câncer pulmonar nos 20 a 30 anos que se seguiram à disseminação do tabagismo, aumento das taxas de câncer de endométrio após o uso extensivo de estrógenos para tratamento da menopausa).

Além disso, a existência de tipos específicos de neoplasias que apresentam forte associação causal com a exposição a agentes também específicos (por exemplo: angiossarcoma hepático pelo cloreto de vinil, mesotelioma pleural ou peritoneal pelo asbesto) reforça a idéia de causalidade ambiental do câncer.

Dependendo do tipo de exposição realizada, o câncer poderá ser iniciado em poucos minutos, por exemplo: agentes químicos e radiação ionizante. Este tipo de agente é chamado de iniciador; o processo de iniciação em geral começa em uma rara célula com um novo fenótipo e um novo comportamento biológico. Se esta célula for seguida por um grupo de outras células, as quais em proliferação possam atingir um número suficiente, o processo de desenvolvimento do câncer poderá ser efetivado . A células iniciais não mostram qualquer crescimento seletivo, podendo ser seletivamente estimuladas a formar nódulos, papilomas ou pólipos, através de um apropriado promotor do meio ambiente.

Existem diversos possíveis locais de prevenção durante o processo de iniciação; o mais efetivo é a remoção do agente etiológico envolvido. Esta abordagem é melhor realizada quando o agente suspeito é conhecido. O tabaco e outros carcinogênicos químicos industriais são exemplos. Este tipo de prevenção é conhecido como primário.

Desde que o processo de iniciação é dependente de um grupo de células em proliferação, e desde que a proliferação celular poderá ter início a partir de um processo em condições naturais de morte celular, seguido de regeneração, o câncer em alguns órgãos poderá ser prevenido, desde que nós possamos prevenir a morte celular. A associação de dano tecidual crônico é bem documentada no fígado, no pâncreas e na bexiga urinária.

Fonte: Curso Básico de Oncologia do Hospital A. C. Camargo - 1ª Ed. - 1996.

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