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O ataque cardíaco afeta o fluxo sangüíneo para todo o coração

Por Penny Stern, MD

Nova Iorque, Out 01 - Durante duas décadas, o tratamento dos ataques cardíacos procurou basicamente restabelecer o fluxo de sangue deficiente para a parte do coração afetada pela obstrução de uma artéria coronária. Mas resultados de um estudo publicado recentemente no número de outubro do Journal of the American College of Cardiology sugere que um ataque cardíaco não envolve apenas o fluxo de sangue em um único vaso, mas ao invés disso, o fluxo sangüíneo para todo o coração.

"O ataque cardíaco é um processo global -- em todo o coração -- e não apenas um problema que acomete uma única artéria, " disse a Reuters Health o principal autor do estudo, o Dr. C. Michael Gibson, da Universidade da Califórnia em São Francisco.

Gibson disse que ficou "surpreendido" com estes achados. " Nós sempre usamos a artéria (aparentemente) não comprometida como um tipo de "padrão ouro" para medir o fluxo sangüíneo (no coração)". Contudo quando filmes de angiografia foram analisados pelos investigadores, eles encontraram que, de fato, "o ataque cardíaco cardíaco (parece) afetar todas as três (principais artérias) que nutrem o coração ".

" Nós descobrimos que estas artérias "não-comprometidas" não são normais; o (fluxo de sangue nelas) se encontra reduzido a uma velocidade aproximadamente 45% menor, Gibson continuou. " Assim, durante anos, graduamos a principal artéria (comprometida) contra outras duas artérias (presumidamente normais). Mas o "padrão ouro que nós estávamos usando realmente não era de ouro-- parece que era uma espécie de um padrão de lata," ele observou.

Os investigadores mediram o tempo gasto para que material de contraste injetado no interior do coração alcançasse porções da artéria coronária para além da obstrução. " O normal seriam gastar 21 quadros (de um filme de angiografia), " de acordo com Gibson. " Porém, até mesmo (depois de tratar uma obstrução), não há um retorno completo à situação normal - passa-se a se gastar aproximadamente 30 quadros, o que ainda são 9 quadros acima do normal ".

Usando estes dados, Gibson e colegas que fazem parte do Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI) Study Group, determinaram o que parece ser um tipo de "limite de velocidade" no coração, relacionado ao fluxo do sangue. Ele explicou a Reuters Health: " Nós descobrimos ao insuflar um balão (de angioplastia) na obstrução da artéria coronária, o fluxo normal do sangue não é restabelecido. Você só consegue restabelecer o fluxo (até o mesmo grau) das duas outras artérias coronárias que não estão comprometidas--e ambas apresentam a velocidade do fluxo reduzidas, como sabemos agora, em aproximadamente 40% a 45%."

Embora o tratamento convencional para obstrução de artéria coronária envolva freqüentemente o uso de angioplastia com balão ou a colocação de stents (tubos para manter o vaso aberto), Gibson acredita que " nós também precisamos tratar vasos menores que estão a jusante da artéria principal (acometida), de forma a que o fluxo de sangue ao longo das artérias do coração se acelere, uma vez que são estes vasos de baixa resistência que... provavelmente tornam o fluxo mais lento, até mesmo depois que se consiga eliminar a obstrução ".

Para pessoas que são tratadas com sucesso de uma obstruçãoe nas quais existam ainda evid6encias de redução do fluxo sangüíneo, as conseqüências podem ser graves. " Se você obtém um fluxo normal após tratar uma obstrução, a mortalidade é de menos de 1%. Se você obtém um fluxo anormal, a mortalidade está ao redor de 10%, " disse Gibson. " As pessoas que têm fluxo mais lento apresentam... também um risco maior de ter outro ataque cardíaco ou apresentar uma diminuição na contração do coração, de tal maneira que um fluxo deste tipo se encontra claramente relacionado a um pior prognóstico", ele acrescentou.

O tipo e localização de ataque cardíaco também são um fator prognóstico pois " em um infarto do miocárdio anterior--um ataque cardíaco na parede anterior do coração--as obstruções tendem a ser muito mais próximas do início da artéria, o que acaba por ocasionar um "ataque cardíaco maior". Um maior ataque cardíaco também pode ocasionar uma redução no fluxo de sangue global, " Gibson disse.

Gibson e o seu grupo estão atualmente envolvidos em pesquisas que avaliam o uso das novas "super-aspirinas" juntamente com agentes trombolíticos. " Nós agora conseguimos demostrar que podemos quebrar a barreira de velocidade dos 30 quadros administrando "super-aspirinas" juntamente com o (trombolítico)". Ele observa que " este tipo de terapêutica de combinação (envolvendo) a inibição das plaquetas e as impedindo de aderir à microvasculatura (pequenos vasos) pode provar-se útil na prevenção do fenômeno do fluxo global alterado.

Fonte: Journal of the American College of Cardiology 1999;34:974-982.
Publicado em Bibliomed Saúde em 11-10-1999

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